ASSOCIAÇÃO TIMORENSE – Visão e Missão

COMO  VEMOS E DEVEMOS FAZER:

A nós próprios e ao mundo

 

Foto AlbAraújo. O nascer do sol visto do avião entre Darwin e Dili. 21-03-2001
Pontos donde os nossos antepassados percepcionavam a terra e imaginavam o Mundo e o Universo
A ASSOCIAÇÃO TIMORENSE – AT 

VISÃO, MISSÃO E ACÇÃO 
Encontro de Quadros Timorenses, Coimbra 14 de Março de 2009
Com a participação de:
D. Carlos Filipe Ximenes Belo
Embaixador da RDTL junto à CPLP, Dr. José Barreto Martins
Encarregado de Negócios da RDTL em Lisboa, Dr. Antonito Araújo

A AT pretende fazer sua a VISÃO E MISSÃO NACIONAL, documento elaborado peo Conselho Nacional Timorense (CNRT) e adoptado pelo Parlamento Nacional a seguir à Independência Naciona em 2002.

No sentido de enriquercer o documento, a At apresenta PROPOSTAS nos seguinte termos:

(Documento para Discussão)

1 – VISÃO

A VISÃO configuradora é que Timor L. seja uma Nação onde:

1.1 – Cada pessoa se sinta si própria, vivendo os ideais mais profundos e elevados e sagrados que a dignifiquem.

1.2 – Cada pessoa se veja realizada e avaliada nos horizontes das suas potencialidades vocacionais, dominando conhecimentos científicos e tecnológicos facilitadores do seu contínuo desenvolvimento.

1.3 – Cada pessoa que vive na Diáspora, quer como imigrante transitório ou longo prazo, quer como nacionalizado no país de adopção, se sinta sempre timorense, com os mesmos direitos e deveres, ideais e sonhos, carinho e protecção, etc. tal como todos os outros conterrâneos.

1.4 – Cada pessoa se veja, se reconheça e seja reconhecida, autorealizada em toda a dimensão de:

1.4.1 – Valores Humanos:

a) Valores sociais: cada pessoa convive harmoniosa e construtivamente na sua relação interpessoal e intergrupal, desenvolvendo recíproca aceitação, respeito, amizade, afecto e amor.

b) Valores de Família: Cada Família, na qualidade de grupo primário e microcélula da sociedade, desenvolvendo as relações de afinidade moldadas pela nossa cultura (fetosá e humane) e em sintonia com Instituições Públicas e paradigmas sociais vigentes: representa o berço e educador/formador de todos os valores pessoais e comunitários; é acarinhada e apoiada pela sociedade e pelo Estado.

c) Valores de auto-estima: cada pessoa tem sentimento ou consciência positiva e clara de si própria, manifestando-a através da sua capacidade de auto-avaliação, de autoconfiança, de confiança perante os outros e perante o mundo, de independência e autonomia; defende com humildade o seu prestígio e poder

d) Valores Éticos: cada pessoa é capaz de consciente conjugação entre princípios colectivos e pessoais, tradicionais e inovadores, nacionais e universais.

e) Valores Morais: cada pessoa é exemplo vivo daquele comportamento caracterizador que tem tornado o nosso Povo, perante os visitantes, objecto de simpatia e amizade, de carinho e afecto, e até de admiração e louvor.

f) Valores de segurança: cada pessoa revela-se corresponsável pela segurança social e nacional, defendendo a estabilidade contra as ameaças, protegendo a sociedade contra os perigos; enfim, uma sociedade onde não há necessidade de força militar e onde a intervenção das forças de segurança nacional é reduzida ao mínimo ou tornada simbólica.

g) Valores educacionais. cada pessoa sabe estimar e completar a educação vivida na família com padrões assimilados em convivência nacional e intercultural.

h) Valores formativos: cada pessoa é capaz de assumir como sujeito e objecto de formação científica e tecnológica, desenvolvendo atitudes de auto e hetero formação e avaliação contínua na sua área vocacional e profissional; capaz de desenvolver competências e capacidades de criatividade e inventividade.

i) Valores espirituais e religiosos: cada pessoa é exemplo vivo de valores espirituais e religiosos; ao mesmo tempo que é livre de optar pelas diferentes expressões de fé e religiosidade, respeita a espiritualidade própria dos nossos antepassados e seu vínculo histórico com o cristianismo na medida em que este, tendo lançado as raízes desde há mais de 500 anos, desenvolve laços construtivos entre o Ocidente e o Oriente. Respeita a religiosidade e a cultura de todas as pessoas e grupos hóspedes que se integram na estrutura social nacional.

j) Valores de Solidariedade e Fraternidade: a distribuição de bens obedece a um sentido de justiça onde, mantendo um nível que garanta a dignidade de vida para todos, o distanciamento entre o mínimo (os que menos têm) e o máximo (os que mais têm) seja reduzido ao máximo possível, redução baseada em critérios de funcionalidade e de estímulo. Não há nem pedintes nem pessoas sem abrigo em qualquer parte do País.

1.4.2 – Valores Materiais:

a) Valores de Ambiente: cada pessoa cultiva o respeito sagrado que os nossos Antepassados sempre têm tido para com o meio ambiente, não utilizando meios(químicos ou outros) que o possam prejudicar ou desequilibrar, e contribuindo para a sua melhoria.

b) Valores de Saúde: cada pessoa domina as noções e técnicas básicas de saúde, sabendo desenvolver e conciliar as tradicionais com as modernas, sabendo adoptar atitudes de prática de exercícios e desporto facilitadores de qualidade de vida e de longevidade.

c) Valores fisiológicos: Cada pessoa domina um conjunto de conhecimentos e tecnologias que lhe permitem providenciar com a qualidade possível e de forma autónoma e cooperativa, de acordo com padrões condizentes com a nossa identidade, cultura, história, etc., os bens primários como: a habitação, a alimentação, o vestuário, o repouso e o lazer, o exercício físico e o desporto; na sua sexualidade e actividade sexual, ao lado da realização pessoal de suas energias, tem em devida consideração a sensibilidade dos outros, a função de reprodutividade e de conservação da espécie, a ética e a moral que caracteriza o nosso Povo e os nossos visitantes. d) (Cont.)

1.4.3 – Valores políticos:

1.4.3.1 – A Nação desenvolve o sentido de democracia herdado dos nossos Antepassados, enriquecendo-a como os modelos de democracia mais bem sucedidos em todo o mundo.

1-4.3.2 – A Nação é servida por um modelo de Estado de Direito estabelecido com base em instrumentos democráticos nacional e internacionalmente aceites.

1.4.3.3 – A divisão administrativa do território é baseada em critérios que permitam manter e desenvolver a unidade das famílias pertencentes ao mesmo tronco – Uma Hun, criando assim condições para uma política de regionalização.

1.4.3.4 – Economia e finanças: a conquista e a posse de todo o bem necessário a uma vida o mais condigna possível não constitui um fim em si mas sim uma plataforma para a mais alta autorealização, à medida das capacidades de cada pessoa.

1.4.3.5 – Produção e emprego: cada pessoa desenvolve a actividade laboral dentro da sua área vocacional para a qual é formada. Cria a atitude que considera o emprego e os benefícios daí provenientes não como a finalidade da sua formação, mas como forma de se libertar de necessidades básicas e assim realizar-se através de actividades metanaturais, metacientíficas, metatecnológicas e transcendentais.

1.4.3.6 – (Cont.) 

2 – MISSÃO 

2.1 – A missão mais nobre do(s) nosso(s) Povo(s) é que cada um e todos, uns face aos outros e junto dos Povos de todo o mundo, sejamos portadores dos valores genuínos que nos caracterizam e que nos distinguem de qualquer outro povo.

2.2 – Não só as ciências e as tecnologias de comunicação modernas, cada vez melhores e sofisticadas, mas a dispersão resultante da conflituosa transição de 1975 tornaram mais possível esta nossa MISSÃO no mundo.

2.2.1 – Um dos maiores benefícios de todas as tragédias desde a guerra civil e a subsequente invasão pelas forças indonésias é que Timor L. passou da insularidade à intercontinentalidade ou mundialidade. Desde então, geograficamente, Timor L. termina onde mora o último timorense.; e, demograficamente, Timor L. está onde vive o último timorense. Sendo assim, em vez de se exigir que todos voltem para a Terra-Mãe, dever-se-ia apoiar os irmãos que se encontram na diáspora; programar e apoiar a emigração; desenvolver uma emigração selectiva, colocando em pontos internacionalmente importantes nossos irmãos altamente qualificados e especializados.

2.3 – Todos no Interior e todos na Diáspora seremos testemunhos vivos e dinamizadores dos valores identitários presentes na nossa história e cultura, tais como a dignidade e a honra, a fraternidade e a amizade, a autonomia e a interdependência, o respeito, a mútua estima, a palavra e o compromisso, enfim, tantos outros que, em próximas circunstâncias mais livres e serenas, poderão ser moldadas em conjunto, num clima de verdadeira e hereditária democracia.

2.4 – O nosso País contribuirá para o desenvolvimento pacífico, próspero e justo tanto das comunidades da ÁSIA/PACÍFICO/ÍNDICO como, através da Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa, das COMUNIDADES OCIDENTAIS, EUROPA E AMÉRICAS. 

2.5 – O nosso País constituirá um espaço de DIÁLOGO ENTRE OS NOSSOS POVOS e representará um eixo de DIÁLOGO ENTRE AS NAÇÕES DE TODO O MUNDO, Oriente e Ocidente.

2.6 – O nosso País contribuirá para que, em todo o Mundo, os diferendos e conflitos sejam resolvidos através do DIÁLOGO e COOPERAÇÃO, MAS NUNCA ATRAVÉS DA VIOLÊNCIA, de qualquer tipo que seja.

2.7 – O nosso País contribuirá para a formação de QUADROS POLÍTICOS DE ELITE que governem a Nação e o Mundo em PAZ E JUSTIÇA.

2.8 – O nosso País contribuirá para a formação de cientistas de elite (investigadores) que, ao construírem teorias e/para tecnologias para o bem da humanidade, respeitem a ECOLOGIA mundial e cósmica.

3 – ACÇÃO

3 1 -É neste contexto de VISÃO e MISSÃO que a AT coloca a todos os Quadros Timorenses, na Diáspora e no Interior, o desafio de participação na CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA NACIONAL – “Dentro; Fora; De-Dentro-para-Fora; De-Fora-para-Dentro”.

3.1.1 – DENTRO:

a) Constituir grupo com associações congéneres existentes no terreno. b) Instalação de centros de Internet em zonas estratégicas c)Dinamizar os centros de internet: biblioteca virtual; pesquisa; informações d) Grupos de reflexão, análise e crítica e) Grupo de construção de cenários

3.1.2 – FORA:

a) Encontros, seminários, conferências

b) Recolha de material: biblioteca, bibliografia, monografias, textos, informática

c) Acompanhamento da execução do Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) e do Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento (PEND)

d) Grupos de reflexão, análise e crítica

e) Grupo de construção de cenários

3.1.3 – De-Dentro-para-Fora

a) Proposta de projectos

b) Solicitação de projectos

c) Solicitação de material de trabalho científico e académico

3.1.4 – De-Fora-para-Dentro:

a) Apoio aos centros de internet

b) Remessa de material: monografias, textos, bibliografia, informática

c) Canalização de investimentos empresariais do exterior

 

(Cont.) 

Pl’ASSOCIAÇÃO TIMORENSE – AT
Monte Abraão, Queluz, 14 de Março de 2009-03-12
(Este texto foi elaborado por Alberto Araújo para ser discutido no Encontro de Coimbra de 14-03-2009)
Alberto de Araújo

Copyright © 2012 TIMOR-DIÁSPORA

 

Sobre timordi

50-60 em Escola Salesiana de Lahane, Colégio de Maliana, Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Dare, Dili, Timor L/L. 1960-1965 em Macau, Seminário de S. José. 1966-1973 em Same, zona Sul de Timor L/L. 1973-1983 em Roma, LIcenciatura em Filosofia e Curriculum de Doutoramento em Filosofia na Universidade Gregoriana. 1983 em Portugal, projecto de vida - Filosofia, professor, Curriculum de Mestrado em Filosofia, Fundação e Presidente da Associação Timorense (AT) entre 1983 e 1985 (criada com objectivo particular de Espaço de Diálogo e de Formação de Quadros Timorenses na Diáspora e no Interior - Sítio: wp.timor-diaspora.com/wp-login.php). Membro da Comissão Política do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT). Organiza e participa nos Encontros e Conferências de Vila Moura (Algarve, Portugal), Melbourne (Austrália) Darwin (Austrália). Lecciona Filosofia no Seminário Maior S. Pedro e S. Paulo em Fatumeta, Dili (Timor L/L) entre 2000 e 2002. Na sequência da dissolução do CNRT em 2002, opta por desenvolver actividades na Diáspora - Defende uma Política de Diáspora; cria Assoicaição Apoio à Diocese de Baucau (Sítio - http://aadb.home.sapo.pt); organiza a comemoração na Diáspora do 10º Aniversário da Independência de Timor L/L; coordena o Grupo COCC 2012 (Comissão Organizadora de Conferências e Congressos com início de actividades em 2011/2012. Com a COCC 2012 organiza o Primeiro Congresso de Sociedade Civil de Diáspora da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e a Lusofonia.
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