Memórias – Alberto Araújo, Seloi, Aileu, Timor Lorosa’e

MEMÓRIAS
DIÁLOGO COM O(s) VENERANDO(s) LIANA’IN
Contributo para um Projecto de
EDUCAÇÃO E POLÍTICA

 15«Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. 16Pelos seus frutos, os conhecereis. Porventura podem colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17Toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos. 18A árvore boa não pode dar maus frutos nem a árvore má, dar bons frutos. 19Toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20Pelos frutos, pois, os conhecereis.»
Os falsos profetas (12,33; Lc 6,43-44) (Is 1,17-23; Jr 22,13-17;)

Alberto de Araújo
Email: timordiaspora@gmail.com
Obs. – Autorizo a utilização de partes desta monografia, na condição absoluta/incondicional (conditio sine qua non) de REFERIR explícita e claramente a FONTE e o AUTOR. No final de cada publicação há um espaço para Comentários. Obrigado por fazer parte do “nahe biti” (diálogo)

Ø 15«Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. 16Pelos seus frutos, os conhecereis. Porventura podem colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17Toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos. 18A árvore boa não pode dar maus frutos nem a árvore má, dar bons frutos. 19Toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo. 20Pelos frutos, pois, os conhecereis.»
Os falsos profetas (12,33; Lc 6,43-44) (Is 1,17-23; Jr 22,13-17)

INDICE
(Observação: Esta monografia está concebida para ser publicação através da internet. O Índice não segue, portanto, o formato comum de publicação em papel. Cremos que a organização do texto em parágrafos numerados facilitará mais a sequências de ideias e a viagem/localização/deslocação do interlocutor neste DIÁLOGO INTERMINÁVEL. Sendo interminável, o DIÁLOGO apela para a paciência do interlocutor ao longo da viagem física, isto é, no seguimento da leitura, e da viagem mental, ao refazer o percurso e os meandros do nosso pensamento . Contamos sobretudo, irmão timorense no interior e na diáspora timorense, com o vosso espírito crítico e criativo. Neste sentido, prevemos que o ÍNDICE irá crescendo em vertical em horizontal consoante o prosseguimento do DIÁLOGO: em vertical, isto é, no sentido do tronco do discurso, e em horizontal, na medida em que forem surgindo ramificações que representarão outros e inumeráveis troncos que serão a expressão da vossa crítica e criatividade. A nossa felicidade estará, assim, no facto podermos ver nascer OUTROS DIÁLOGOS mais elevados e profundos que o nosso.)

1. Um DIÁLOGO Intemporal

1.2 – O Interlocutor Consagrado (1.1 – 1.5)

1.3- Os Interlocutores.

1,4 – O Sentido do “NÓS”

1.5 – Triangularidade Relacional

1.5.1 – Génese da triangularidade relacional

1.5.2.1 – Primeira génese: triangularidade do macro-início da vida pessoal

1.5.2.2 – Segunda génese: a Trindade teológica

1.5.2.3 – Terceira génese: A triologia na relaão pedagógica

1.5.2.4 – Quarta génese:A pedagogia clássica/escolástica: Dialéctica e Sabatinas

1.5.2.5 – Quinta génese: Da alegoria da caverna de Platão para The Matrix de Wachomski

1.5.2.6 – Sexta génese: Ficht, Johann Goottlie, e o processo tricotómico dia lectico tese-antitese- síntese

1.5.2.7 – Sétima génese: A perspectiva fenomenológica

1.5,2.8 – Oitava génese: Estrutura orgânica e desenvolvimento do ser vivo; do nível micro ao macro, dos inícios ao termo da vida

1.5.2.9 – Nona génese: Uma visão da construção da História Nacional – TIMOR LOROSAE.

1.6 – Recolocando o Sentido de NÓS

1.7 – Caminhos a trilhar – Metodologia, “Rai Ni Lolain, Sauna Mret Mret Ni Lolain”
1.8 – Itinerários – Cenários

I PARTE
2. CONTEXTUALIZAÇÃO > Timor-Diáspora

2.1. Introdução

2.1.1 – Benefícios da tragédia: da Insularidade à Intercontinentalidade

2.1.2 – Expansão Geográfica e Demográfica

2.1.3 – Timor-Diáspora – Fronteiras sem Fronteiras

2.1.4 – Visão de um grupo

2.1.5 – Dialogando…

2.1.6 – Novas potencialidades de comunicação

2.1.7 – Diáspora e Migração

2.1.7.1 – Diáspora

2.1.7.1.1 – Um conceito específico

2.1.7.1.2 – Diáspora e Identidade

2.1.7.2 – Migração

2.1.7.2.1 – Um Sentido de Migração

2.1.7.2.2 – Migração e Remessas

2.1.8 _ Uma Última Nota Introdutória

2.1.9 – O Objectivo: TIMOR-DIÁSPORA

2. Ser/Não-ser/Timorense -Identidade e Identificação

2.1.2 – 2.1.4 – A Constituição da RDTL e a Diáspora

2.1.5 – Algumas observações

2.1.5. a) Recenseamento da Diáspora – Hipóteses de obstáculos

2.1.5. a) . 1 – 25 anos – Viver ou no Interior

2.1.5. a) . 2 – Segurança/Insegurança

2.1.5. a) . 2.1 – Segurança e Partidarismo Político

2.1.5. a). 3 – Missão da ONU

2.1.5. a) . 4 Potências Interessadas

2.1.5. a). 5 – Levantamento Demográfico e Associação Timorense – AT

2.1.5. a). 6 – Um Premissa

2.1.5. b) – Direito de Votar e Ser Eleito

2.1.5. b). 1 – Direitos e Deveres Constitucionais

2.1.5. b). 2 – Algumas Experiências da CPLP

2.1.5. b).2.1 – O caso Brasileiro – Votação Através da Internet

2.1.5. b).2.2 – O caso Caboverdiano – Votação dos Emigrantes e Número de Deputados pela Migração

2.1.5. b).2.3 – O Caso Português – Votação através do Correio e Não Apenas Presencial

2.1.5. c) – Aproximações Interior-Diáspora

2.2 – Identidade e Identificação – Aproximações Conceptuais

2.2.1 – Identidade/Identificação e Diáspora /Migração

2.2.2 – Identidade/Identificação e Herança Genética

2.2.3 – Identidade/Identificação e Referência Social

2.3. Diáspora – Três Momentos de Experiência

2.3.1 Experiência Prehistórica – A Linguagem uma Pista para a Redescoberta da Identidade Primordial

2.3.1.1 – Investigações da Universidade de Auckland, Nova Zelândia

2.3.1.2 – Contributo de Luís Filipe Thomaz

2.3.1.3 – Contributo das Ciências

2.3.1.4 – Contributo dos LiaNa’in

2.3.1.5 – Poder e Limitações da Imaginação

2.3.2 – Experiência Contemporânea

2.3.2.1 – Cláusula conceptual

2.3.2.2 – Coabitando com Outras Diásporas

2.3.2.3 – Coabitando com os Chineses

2.3.3 – Experiência em Construção

2.3.3.1 Não Estamos Sós – Diásporas Internacionais

2.3.3.2 – OMD/WDO – Organização Mundial de Diáspora / World Diaspora Organization

2.3.3.3 – Uma Política de Diáspora – A considerar mais adiante – Ponto 6

2.4. Colonização e Diáspora

2.4.1 – Colonização – Nuances

2.4.2 – Neocolonização

2.4.3 – Colonização – Aspectos Negativos

2.4.4 – Colonização – Aspectos Positivos

2.5. Descolonização e Diáspora – O nosso Caso

2.6. Neocolonização – Autocolonização

2.7. Uma Política de Diáspora

2.8. Diáspora – Lusofonia e Latinofonia

II PARTE

3. SISTEMA EDUCATIVO TIMORENSE

III PARTE
4. IDENTIDADE E CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA NACIONAL – PND e PED

PRÓLOGO

Nai Lia Na’in!

1. Um DIÁLOGO com início mas sem termo, interminável
1.1 – Retomamos, hoje/neste-momento, este DIÁLOGO que começou há muitos e muitos anos. É um diálogo feito com a consciência ou sentimento da nossa identidade genética primordial e presente, isto é, o ADN, ou aquilo que as ciências vão descobrindo como fomos feitos, e esse mesm”ADN” que está no no consciente ou subconsciente/inconsciente do noss pensar e agir, da froma como nos vemos e vemos o mundo/cosmos, da forma como vemos o visível e o invisível, da forma como vemos o passado e presente e como gostaríamos/pretendemos/sonhamos construir o futuro.momento da nossa concepçãoOs condicionalismos socioculturais e políticos, pessoais e profissionais, etc., têm vindo a adiar este momento. Chegou a hora H, ou poderá ser tarde. Poderá ser tarde,pois, estamos convictos de que a clarividência do DIÁLOGO será inevitavelmente afectada desde o momento em que uma ou mais componentes desta coisa/organismo pensante, que é o meu corpo, entrarem em disfunção. A seu tempo, falaremos desta convicção. Afinal, não somos os primeiros, nem seremos os últimos, a desenvolver esta convicção. Nesta ordem de coisas, que as ciências reflexivas e objectivas continuam a perscrutar, sabemos que o DIÁLOGO condicionado por esta convicção poderá terminar, mas AQUELE à roda do qual vos convidamos e desafiamos será interminável enquanto for interminável a nossa espécie humana.
1.1.1 – Este é um DIÁLOGO que tem início, mas não terá termo. O início é o “in illo tempore” (os mementos fundantes) de cada Uma Knua dos nossos povos que habitam a ilha (Timor L) desde tempos imemoráveis; e o início são também os primeiros momentos da historia de cada pessoa, de cada um de nós, que nos assumimos como descendentes de antepassados dos quais nos orgulhamos. Este DIÁLOGO não terá termo porque eternizaremos o nosso genes através das gerações futuras e eternizaremos, através deles, o nosso testemunho, imortalizando a NAÇÃO que juntos plasmamos com o nosso corpo e alma, com vidas martirizadas e imoladas. Este DIÁLOGO durará enquanto durar a vida e a vontade de cada um de nós em sairmos de nós próprios e do nosso mundo, indo ao encontro dos nossos pais e antepassados, indo ao encontro do nosso povo e de todos aqueles com os quais ele decidir construir mútuas relações de fraternidade, amizade, cooperação/colaboração, enfim, de valores que caracterizam o nosso povo e a humanidade.

Img. 1 – Bou João, o Liana’in da família e próximo do Liana’in consagrado

1.2 – Os participantes principias e imprescindíveis, aqueles que presidem, sois VÓS, NAI LIA NA’INs de cada UMA KNUA, na medida em que sois o “Orador oficial, o Presidente do ritual ou cerimónias, o dono (Senhor) da Palavra. O contador de mitos e genealogias que constituem a história de um grupo ou da ilha; detentor da voz do passado, o livro vivo e precioso”. (Luís da Costa, Dicionário Tétum-Português, Edições Colibri – Instituto Camões, Lisboa 2001). Sem Vós este diálogo não teria razão de ser, pois perderia a referência fundamental e fundante.

1.2.1 – Um acto de fé e de confiança. Neste sentido, Nai Lia Nains, temos fé e confiança em Vossas pessoas. Nas qualidades humanas que o nosso povo deposita em Vós. Na Vossa sabedoria e nos Vossos conhecimentos tanto do mundo espiritual como do mundo material, tanto do nosso povo como da humanidade, do mundo em que habitamos e do universo, do visível e do invisível. A função oficial de “detentores da voz do passado, o livro vivo e precioso” permite-vos uma visão e leitura dos fenómenos e acontecimentos a visão do raciocínio rigoroso e frio, logicomatemático, dos filósofos, ou a abordagem objectiva, geometricomatemática, do cientista e especialista não permitiria ou dificultaria. Cremos que são coisas diferentes o saber ler e escrever, ser sábio e cientista ou especialista e o saber cultivar a sabedoria
1.2.2 – Temos tanta fé e confiança em Vós, na Vossa percepção cosmológica/cosmogénica e antropológica/antropogénca como a temos face ao criacionismo, reincarnacionismo, evolucionismo, enfim, tantas e tantas tentativas no sentido de configurar respostas e ter certezas face ao natural questionamento da mente humana sobre o “o quê, como, porquê, quando, para quê, em que medida, de que forma”, sobre a realidade, o espaço, o tempo, natureza e essência, existência e sobrevivência, etc., etc. E tais respostas têm valor na medida em que garantem certa serenidade, estabilidade, segurança e autorealização face ao passado e sobretudo ao presente, ao futuro e ao posmorte.
1.2.3 – Cremos que é uma percepção não só a não deve ser rejeitada como, pelo contrário, deve ser desenvolvida através de um processo endógeno, como sempre tendes demonstrado saber operar, e não, simplesmente, pressionados por processos exógenos, tanto de aculturação como de colonização, neocolonização, ou outras formas mais subtis de dominação dos mais fortes sobre os mais fracos. Um das estratégias que temos apoiado desde os primeiros momentos é que, logo no início da guerra civil e de luta fratricida, luta partidária e ideológica pelo poder, deveríamos ter posto a salvo duas referências fundamentais: os Lia Nains e os legítimos sucessores dos Liurais, engendrando para eles projectos e programas de educação e de novas estratégias de formação. Na verdade, pensamos que aqueles que pretendiam tomar de assalto o poder, na sequência da retirada dos Portugueses, com o processo de descolonização programado pela ONU desde 1960, estes, sabendo da força e influência que o nosso poder tradicional detinha, mesmo sob a pressão colonizadora portuguesa, ocidental e cristã, não teriam outra alternativa de domínio senão eliminando, de qualquer forma, toda e qualquer resistência. Afinal, o trono do poder é apenas um: ou é vosso/nosso, ou é daqueles grupos sociopolítios ou daquelas “instituições opressoras” (Manel CAstells, A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, O PODER DA IDENTIDADE, Ed. F. C. Gulbenkian, 2003, p. 435). Apesar de tudo e apesar da cláusulas, hoje, temos orgulho de ver consagrada na nossa Constituição Nacional (T.L.). Artigo 2º (Soberania e Constitucionalidade), 4.: “O Estado reconhece e valoriza as normas e os usos costumeiros de Timor Leste que não contrariem a Constituição e a legislação que trate especialmente do direito costumeiro”. Constituição e legislação que, a seu tempo e o mais breve possível, deverão passar por uma revisão adequadamente preparada, dentro destes 12 a 18 anos; revisão que esta prevista no Artigo 154º. Artigo 6º (Objectivos do Estado). “g) Afirmar e valorizar a personalidade e o património do povo timorense.” No PDN (Plano de Desenvolvimento Nacional): “A visão (VISÃO) do Plano de Desenvolvimento Nacional de Timor-Leste planeia atingir os seguintes objectivos para a próxima geração, no ano 2020”: “Timor-Leste será um país democrático com uma cultura tradicional vibrante e um ambiente sustentável.”
1.2.4 – Que a nova organização social e a nova educação e formação permitam colocar entre os povos reconhecidamente mais desenvolvidos, desenvolvendo e aperfeiçoando as técnicas que permitiram aos nossos antepassados atingir o nível constatado nas notas registadas por Alberto Osório de Castro em 1909 e publicadas em 1929 na revista Seara Nova de 27 de Junho de 1929, nº 167 e n”A Ilha Verde e Vermelha de Timor, Ed. Cotovia Lda, Lisoa 1996, pag. 88:
1.2.4.a)”A civilização primitiva do timorês não merece o nosso desdém ou a nossa incompreensão. Todas as grandes invenções da humanidade as tinha ele feito ou adoptado centénios ou milénios antes dos Dominicanos portugueses da Missão de Larentuca haverem aportado a Lifau. Tinham e têm uma civilização pastoril e agrícola completa, com um curioso esboço de monarquia electivo-hereditária e manifestações artísticas notáveis. (…)”
1.2.4.b)”Como o Javanês, o Timor é um formidável nomenclador. Nunca perguntei o nome indígena de qualquer planta , por mais humilde ou incaracterística que fosse, que os vários auxiliares indígenas que me serviam não dessem um nome da sua língua”
1.2.5 – E qual não foi o nosso espanto ao podermos constatar nós próprios, em 2002, algumas destas anotações daquele que foi “Juiz do Supremo Tribunal de Justiça, Presidente do Conselho Superior de Administração Pública e Ministro de Justiça de Sidónio Pais”. (Google, Wikipédia, Enciclopédia livre). Andando nós, um grupo de Katuas (N. João Nunes, N. Leão Amaral, N. Evaristo Costa (os três de feliz memória), N. Álvaro Costa. N. Carlos Costa, N. Francisco Carvalho, N. Luís Gonzaga – Figura 1)) (ver foto a seguir) a tentar falar sobre a nossa cultura e conhecimentos ancestrais, e neste caso sobre a flora, deparámo-nos com com umas quatro crianças que brincavam numa pequena mata próxima da ribeira de Komoro, entre a estrada que vem de Fatumeta e passa por umas várzeas e hortas cultivadas com interessante aparência técnica (certamente fruto da convivência com a Indonésia), às quais perguntámos: “O que fazem se ficarem magoados ou feridos?” Ao que elas prontamente responderam, indicando as plantas, os respectivos nomes, propriedades curativas e modos de utilização.

Img. 2 – O grupo de katuas que, ente 2000 e 2002, se juntaram para conhecer, aprofundar e fazer vincar na nossa nova História as diferentes vertentes da nossa tradicional Identidade, História, Cultura, Valores, Religião, etc.


1.3 – Os participantes somos NÓS, Vossos filhos, a nova geração, aqui sentados à Vossa frente, vivendo junto de Vós ou espalhados por todos os cantos do Mundo. Sentimos o direito e o dever de aprender, manter vivo e desenvolver a PALAVRA/LIA-FUAN herdada dos Antepassados e de Vós e expressa através do conjunto de características que, num sentido, nos ligam ao passado, até ao momento efectivamente original e originante em que foi constituída a nossa História – a História de cada KNUA, de cada reino e do conjunto dos reinos que têm habitado a Ilha do Crocodilo; e que, noutro sentido, representam o paradigma da nossa visão missão, ao pretendermos projectar no presente e para o futuro aquilo que nos define e nos torna diferentes de qualquer outro povo, incluindo aqueles que nos estão mais próximos, geográfica e antropologicamente, ou seja, a intrincada rede de povos da região Ásia/Pacífico/Indico.
1.3.1 – Ao realizar o nosso direito e dever de filhos da mesma MÃE-TERRA, aprendendo de Vós e personalizando a PALAVRA/LIA-FUAN e identificando-nos com a REALIDADE, “RAI NI LOLAIN, SAUNA MRET MRET NI LOLAIN”, Wolk of the earth, isto é, o “CAMINHAR DA TERA” (Elisabeth Traube, Cosmology and Social Life, Ritual Exchange among de Mambai of East Timor, The Univrsity of Chicago Pres, Ltd, 1995, Pag. 30) de que ela é expressão, tornamo-nos LIA NAINs POR COMPARTICIPAÇÃO e EXTENSÃO. Sendo Vós o(s) Lia Nain(s) qualificados e investidos, seremos, assim, lia na’ins uns perante os outros e no diálogo com os outros povos. Aprenderemos a Ciência, a tecnologia e tudo, como timorenses e, neste sentido, daremos o nosso contributo para um mundo melhor. Dialogaremos com os outros povos como timorenses e não como interlocutores feitos à sua imagem e semelhança . Não seremos os outros, mas nós próprios.
1.3.2 – Temos consciência de que este processo de aprendizagem e de apropriação, este diálogo, não significará despersonalização dado que emerge da nossa decisão pessoal, livre e consciente; emerge do sangue e carne herdados dos nossos antepassados; emerge da afinidade que une as diferentes famílias e reinos de uma ponta à outra da ilha; emerge da História, Cultura e Valores que nos identificam e distinguem dos povos vizinhos; emerge da terra que nos fez nascer e nos sustenta e onde repousam os nossos Avós e seus descendentes, nós, gerações após gerações. Ninguém nos obriga a ser timorenses, podendo ser timorenses das mais diferentes formas e podendo também, quem pretender, abdicar de sê-lo.
1.3.3 – É um DIÁLOGO ENTRE NÓS (timorenses), antes de ser DIÁLOGO COM OS OUTROS. Queremos aprender de Vós, Nai Lia Nains, a arte de dialogar, a arte que tem permitido uma convivência estável, apesar de todas as crises, no interior de cada reino e entre os diferentes reinos que desde datas imemoráveis habitam a nossa Ilha. A mesma arte que tem permitido a longa e sustentada convivência com os Portugueses. Sentimos que não poderemos dialogar com os outros se não soubermos dialogar entre nós. Noutros termos, sentimos que os outros não poderão dialogar connosco se não souberem quem realmente somos e o que queremos.
1.4 – Ao falarmos em “NÓS” não significa que falemos em nome de alguém ou em representação de algum grupo em concreto. Não falamos nem em nome dos timorenses na Diáspora, nem em nome dos Irmãos do Interior, nem sequer em nome da Associação Timorense – AT. Mas, o “NÓS” não é uma figura retórica, nem o plural majestático, nem vazio de referência e conteúdo. Pelo contrário, o “nós” tem uma dupla referência.
1.4.1 – A primeira é a convicção de que não somos os únicos, nem os primeiros, a pensar como pensamos ou a pensar sobre o que pensamos. E isto porque “testemunhamos” com um filósofo e cientista francês, Descartes, “que a faculdade de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso – propriamente a que se chama bom senso ou a razão – é naturalmente igual em todos os homens (franceses, europeus, ou timorenses); igualmente se testemunha que a diversidade das nossas opiniões não vem de uns serem mais razoáveis que outros, mas só de conduzirmos os nossos pensamentos por diferentes caminhos e de não considerarmos as mesmas coisas.” (Descartes, René, Discurso do Método, Publicações Euopa-América, Mira-Sintra, Mem Martinsm 1977, pag. 19)René Descartes nasceu em La Haye, em 31 de Março de 1596, tempo em que já tínhamos iniciado uma história comum com os portugueses e em que “A entrada dos holandeses (c.1595) provoca o reforço e desenvolvimento da capitania. (…) Entretanto, em Timor a acção dos dominicanos converteria ao cristianismo diversos régulos que se iam colocando sob a suserania do rei de Portugal.” (Luís Filipe Thomaz, De Ceuta a Timor, Difel, 1994, pag. 594).
1.4.2 – A segunda é que, ao longo da vida, graças à experiência em primeira pessoa, quotidiana e profissional, constatamos que antes de nós (década de 70), durante o nosso tempo (de então a 2009) e, baseando-nos na probabilidade sugerida por estes mesmos factos, há efectivamente pessoas, desde os especialistas aos autodidatas, que pensam como eu/nós e pensam sobre o que penso/pensamos. Esta constatação não pode senão esclarecer e consolidar o sentido do “NÓS”.
1.4.3 – A primeira constatação categórica deste “NÓS” é assegurada pelas duas primeiras leitoras e críticas deste diálogo, inseparáveis em todos os momentos da vida a três. A Mãe, Josefina D. Henriques Ximenes, formada na área de Serviço Social pelo Instituto Superior de Serviço Social de Lisboa, nasceu em Kulu-Hum, Dili, mas as raízes genealógicas, próximas e remotas, são de Manatuto, das gentes de cultura e língua galoli. A nossa filha, Joana Raquel Ximenes Araújo nasceu em Lisboa em 1988 e, no próximo ano académico 2009/10, estará a frequentar o 4º Ano de Medicina na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, Campo dos Mártires da Pátria ou Campo Santana. Foi preciso, por ocasião do 1º Congresso do CNRT (Conselho Nacional da Resistência Timorense) em Dili, ela ir connosco até Timor, para passar a dizer “nossa terra”, em vez de “vossa terra”, como até então espontaneamente se exprimia. E queremos deixar aqui registado que a nossa participação no Congresso, a minha na qualidade de membro da Comissão Política e responsável pela Pasta da Educação, foi totalmente suportada por um empréstimo assumido pelos três. É evidente que ambas não concordarão comigo em alguns pontos de vista do diálogo, mas em todos os outros onde há consenso constituímos um “NÓS”, um corpo crítico de nós próprios e crítico de todos os fenómenos relacionados com a construção da nossa História Nacional timorense.
1.4.3.1 – E é aos três que dedico estas memórias: a minha Mulher, que trato por MAMÃ; a nossa filha, que trato por AMOR; o meu sobrinho, que trato por SOBRINHO BISPO. À minha Mulher com quem, onze anos depois (em Portugal) da natural e complexa decisão (em Roma), que abriu horizontes para um projecto diferente de vida, passo a partilhar os melhores e os piores momentos da vida, os sonhos e as desilusões, os êxitos e os fracassos, numa palavra, TUDO. Ao SOBRINHO BISPO de Baucau (Timor Lorosa’e) a quem, desde 1983, devo uma parte fundamental/fundante daquilo que sou e tenho: a partir de 1977, tinha como projecto reorganizar o futuro na Itália e ele tornou possível a minha vinda para Portugal; depois de uns meses hóspede do pessoal amigo D. José Joaquim Ribeiro, que tenho sempre presente na memória, e até o início da vida profissional em Portugal, a partir de 1984, fui hóspede do Pe. Basílio do Nascimento, Pároco de Cano, Casa Branca, Sousel;
1.4.4 – Nesta ordem de coisas, estamos convencidos de que o “NÓS” representa, no tempo e no espaço, um grupo ilimitado de pessoas, envolvidas, por mera ou intencional coincidência, num espaço de diálogo onde o consenso tanto pode ser total ou global como parcial ou circunscrito. Quando nenhuma destas convicções se verificar, então, o “NÓS” refere-se unicamente ao eu, que assumirá assim, pessoalmente, tanto as possíveis aproximações da problemática de verdade como os erros, tanto a forma de comunicação e as suas limitações, etc. A seguir (Ponto 1.7) veremos algumas destas constatações que fundamentam o sentido do “NÓS”.
1.4.5. Esquematizando o pouco que dissemos do Ponto 1 ao 1.4.4, neste DIÁLOGO ou “NAHE-BITI”, encontram-se sentados, frente a frente e mente na mente, uma referência triangular: a) Vós, Nai Lia Nains, enquanto TODO/TOTALIDADE (T,Ponto 1.7.3.1, Figura 2) 2. b) Todos os “lia nains” (no sentido atrás descrito no Ponto 1.3), enquanto OUTROS (P-n, ibidem). c) Cada um dos participantes, enquanto EU (P, Ibidrm).
1.4.6 – Se porventura não houver interlocutores, nem Vós Nai Lia Nains, nem os outros Irmãos timorenses, nem ninguém; e se não houver efectivamente alguém que pense e fale no que penso e falo, então, este DIÁLOGO será um diálogo comigo próprio, uma autoreflexão, não um solilóquio, uma AUTOBIOGRAFIA ou MEMÓRIAS (TATEMIN) que deixamos com amizade para aqueles que estimamos e para possíveis interlocutores. É um Testamento/Testemunho. Neste caso, na triangularidade relacional estarão frente a frente: Eu, o meu outro/eu ou tu/eu e o mundo tal como os dois juntos tomamos consciência ou sentimos. E, neste caso, será um diálogo com um início e um termo, sendo o início os momentos em que que o meu ADN assumiu efectivamente forma humana e o termo os momentos em que, de acordo com as ciências actuais, o meu sistema nervoso central, o cérebro, parar.
1.5 – Esta TRIANGULARIDADE RELACIONAL (Ponto 1.4.5) está na base de uma percepção ou visão que gerou uma (re)orientação do projecto pessoal de vida, marcada através de uma carta/declaração, com aviso de recepção, datada de 19 de Dezembro de 1980, Impéria Porto Maurizio, Itália, dirigida a alguém por quem nutrimos tanto respeito, estima, veneração, devoção e colaboração como por Vós, Nai Lia Nains. Trata-se de uma RELAÇÃO ao mesmo tempo simples e complexa, com referências não apenas geometricomatemáticas mas também metanaturais e metacientíficas. Pode ser algo ingénuo, simples ou simplista, ou até ridículo, ou o que quer que seja, mas tem valor pessoal e hipoteticamente válido, na medida em que representa uma referência ética e moral facilitadora de uma vida subjectivamente aceitável e socialmente não desestabilizadora ou desconstrutiva. Dada a dificuldade em descrevê-la em poucas palavras, falaremos dela noutra altura, ao longo deste DIÁLOGO. Para já, deixo aqui à Vossa consideração , Nai Lia Nains e maun alin lia nains, apenas um esboço esquemático desta triangularidaderelacional em questão. Trata-se de, atribuindo à variável P o valor Cristianismo/Catolicismo, à variável Pn as restantes religiões e à variável T o valor realidade (fenómeno>númeno) na sua Totalidade (mundo/universo, visível/invisível, conhecido/incognocível, etc.), passar da posição/percepção/perspectiva inicial do P para o T, não ignorando o Pn e o próprio P. Em termos globais, trata-se passar de conhecimentos/experiências/ideias apropriados/personalizados, conscientemente ou não (P), para uma visão global (T), sem ignorar análogos Ps dos outros. Trata-se de passar de ciências partticulares (P na interrelação/interacção com Pn) para a ciência de todas as coisas através da descoberta constante das suas últimas causas (pura utopia, sublimação,!,?), esta atittude filosófica que aprendíamos no Seminário de Ns. Sra. de Fatima em Dare/Timor/Loros’e na década de 50.
1.5.1 – Esta triangularidade relacional passou à progressiva estruturação desde os inícios do processo de doutoramento em Filosofia na Universidade Gregoriana em Roma, ou seja, desde 1975/76 e tendo como marco a declaração referida no Ponto 1.5, Dezembro de 1980. A tese intitulava-se “A Ideia da Libertação na Dialectique de l’Agir de André Marc” (“Liberatio et Dialectique de l’Agir, autore A. Marc”) um ensaio fundamentalmente académico e destinado a ser posteriormente aprofundado e reformulado, liberto de condicionantes próprias das regras conjunturais de formação académica.
1.5.1.1. – A metodologia dialéctica de libertação tem como referência a seguinte moldura conceptual, moldura que representa a base mais simples de um sistema mais complexo, cuja operacionalização, confessamos, ultrapassa os limites da nossa capacidade pessoal e da nossa área de formação pessoal, condenando o discurso ao estigma do problemático e do inacabado referido no Ponto 1. É a intenção e são as condições de aprofundamento desta ideia de libertação que que estão na baseda decisão de Roma (amadurecida entre entre 1973 e 1980), decisão referida Pontos 1.5 e 1.5.1.

Img. 3 – Triangularidade relacional simples – Esquema desenhado ao computador por Alberto Araújo

Img. 4 – Múltipla triangularidade relacional – Esquema desenhado ao computador por Alberto Araújo

1.5.1.2 – Legenda dos esquemas
Os esquemas representam uma visão onde:
a) T=Todo/Totalidade; P=Parte; Pn=Parte elevada ao ilimitado. Cada realidade (coisa/pessoa – P) existe sempre interrelacionada com as outras (de número indeterminado – Pn) e com o todo/totalidade (T).
a.1 – Cada P tem uma dupla relação directa com Pn (P-Pn e Pn-P) e com T (T-P e P-T). O mesmo acontece entre Pn com P e T e T com P e Pn.
a.2 – O sentido desta relação directa é duplo/reversível, num-ir-e-vir: (P>Pn e Pn<P). ( P>T e TPn e Pn<T).
a.3 – Cada P, Pn e T está relacionado indirectamente com os restantes, isto é: P com Pn através do T; P com T através do Pn. Pn com P através do T e Pn com T através do P. T com P através do Pn e T com Pn através do P.
b) Cada P, Pn, T, tem uma identidade própria e é centro de um mundo/universo envolvente representado pelos círculos/elipses Cr-1, Cr-2, Cr-3. Cada Cr não é independente: é autónomo, mas, ao mesmo tempo, interdependente. Assim:
b.1 – Cr-1 não é Cr-2, mas está entrecruzado/envolvido/ fundido com Cr-2, sendo, em sentidos diferentes, o próprio Cr-2; esta situação é representada pelo espaço/intersecção: P-T ou T-P.
b.2 – Cr2 não é Cr-3, mas está entrecruzado/envolvido/ fundido, com CR-3, sendo, em sentidos diferentes, o próprio CR-3; esta situação é representada pelo espaço/intersecção: P-Pn ou Pn-P.
b.3 – Cr-3 não é Cr-1, mas está entrecruzado/envolvido/ fundido
com Cr-1, sendo, em sentidos diferentes, o próprio Cr-1; esta situação é representada pelo espaço/intersecção: Pn-T ou T-Pn.
b.4 – Cr-1, Cr-2, Cr-3, mantendo cada um a sua própria identidade/autonomia estão estrecruzados/envolvidos/fundidos entre si num mesmo espaço/intersecção T-P-Pn onde, em sentidos diferentes, cada um é os outros.
c) A Img. 4. significa um primeiro nível da rede de triangularidade relacional representado por 11 triangulos (N1 – N11), cujos vértices constituem centros de novos círculos/elipses/Tatalidades, com autonomia e interdependênia (Cr. 4 – Cr. 12).
d) A partir deste primeiro nível, ou a tecnologia nos permite visualizar e/ou a imaginação se encarregará de a rede que tanto pode estar distanciada com presente e actuante no noss pessar e agir, no consciente e no in/sub/consciente… Podeis imaginar esta rede com a ajuda da expressão artística de Peter Kogler que descobrimos graças a uma exposição do Museu Colecção de Berardo, no Centro Cultkural de Belém (CCB), 16/03 – 31/05 2009. Ver: Ponto 1.6.3.

1.5.1.3 – O sentido de libertação implica a não -identidade e não-identificação exclusiva e fechada do B,P e do P,P-n dentro de si, permitindo que um possa ser os outros sem cada um deixar de ser si próprio. A dinâmica de libertação consiste numa intencionalidade/liberdade em que, partindo da respectiva autoconsciência e autoconhecimento, da acção e programa de acção e saindo do seu mundo próprio, os interlocutores B,P e C,P-n se encontrem numa plataforma comum; que cada um deles se encontre igualmente com A,T num espaço análogo; e que todos os três se encontrem numa plataforma comum, onde cada um, mantendo a sua própria identidade, se entrecruza, se emaranhe e se identifique como outro, ao mesmo tempo que se identifica com o(s) outros, ou melhor, se identificam entre si; transparece daqui a aparente contradição de ser, dado um ser si próprio e ser, ao mesmo tempo, o outro. E isto representa apenas uma relação (dialogal e outras) simples e fácil de se entender. No ponto dedicado ao “caminho a trilhar ou lao tuir rai ni lolain” (a metodologia) tentaremos descrever este enredo. Em contrapartida, a decisão do não desencadeamento deste processo de libertação significaria opção pelo isolamento e dependência, pelo fechamento de horizontes e empobrecimento, pelo pelo (auto)aprisionamento e morte.
1.5.2 – Cremos que esta triangularidade relacional tem géneses remotas e próximas: remotas, fazendo parte do universo do inconsciente e/ou subconsciente, de experiências e vivências esquecidas por exigências da própria dinâmica da MEMÓRIA e de outros processos; próximas, fazendo parte da aprendizagem contínua que só terminará com a morte, como proporemos no conceito da nossa proposta de sistema educativo timorense. Por outro lado, tem igualmente origens presentes e constantes, numa dinâmica de continuidade/rupturas face ao passado e de perspectivas na construção do futuro.
1.5.2.1 – A primeira génese e a mais remota é aquela sensação ou consciência comum de que, desde os primeiros momentos da vida uterina e progressivamente, nós (vértice/centro B no triângulo acima) nascemos de um pai, de uma mãe e de uma árvore genealógica (vértice/centro C) e de contexto englobante, isto é: ambiente/espaço/tempo (vértice/centro T); e de que, por ouro lado, a nossa família e outras famílias singularmente (vértice/centro B), em virtude de afinidades definidas através dos padrões de “fetosá e umane” encontra-se relacionada com outros centros que são a povoação e o suco (Vértice/centro C); e ainda de que uns e outros (B e C) encontramo-nos relacionados/englobados com o/no Liurai e o misterioso Liana’in e um espaço e tempo mais alargado (vértice/centro T). E nesta análoga perspectiva poderemos ver as relações entre cada reino (B,P), o conjunto de outros reinos (C,P-n) e um certo sentido e sentimento de comunidade englobante, realidade esta desenvolvida através de sistemas de afinidade e de pactos de sangue que, apesar de naturais crises, têm mantido certa estabilidade na convivência secular entre os diferentes grupos étnicos, habitantes da Ilha do Crocodilo, antes da convivência com os portugueses. Este paradigma multiplica-se e complexifica-se a seguir na vida social e nos sistemas de formação e educação socializantes.
1.5.2.2 – A segunda génese remota é aquela que, desde muito cedo, aprendíamos na catequese como sendo o grande Mistério da da Santíssima Trindade. Bem ou mal entendido, aquilo que ficou registado na nossa mente é que a relação triangular consiste em procedências onde o Filho é amor do Pai e o amor entre o Pai e o Filho é personalizado no Espírito Santo . Esta relação trinitária ultrapassa a normal tendência de hierarquização, não sendo clarificador o vértice/centro a qualquer das referências e na medida em que, aqui, “São três pessoas, iguais e distintas, não havendo, porém, três Deuses, mas um só Deus”. E, sendo AQUELE QUE É, tal relação não é de ordem lógica e temporal mas, sim, ontológica, ou melhor, uma relação onde o lógico e o ontológico coincidem: pensar é ser/sendo; a palavra é acto/facto (“Deus dixit et facta est … omnia”); pensar é ser e, vice versa, ser é pensar; ideia/ideal é realidade, e vice versa. E, “O VERBO FEZ-SE CARNE” para salvar da perdição humana a relação antropológica cosmológica que que deveria ser “feita à imagem e semelhança divina” trinitária. Correcta ou não para os teólogos e especialistas, repetindo, mas esta foi a doutrina que nos ficou no subconsciente e na MEMÓRIA.
1.5.2.3 – A terceira génese remota-próxima é a relação pedagógica, isto é o tipo de relação que, desde sempre, faz parte da nossa visão formativa e educativa: a relação professor face ao aluno e face aos objectivos pedagógicos a atingir . Nesta trilogia pedagógica, professor (vérticce/centro B, P, no triângulo acima), para poder transmitir aquilo que o sistema educativo/formativo considera objectivo ou próximo da verdade (vértice/centro A,T) , deve libertar-se de si próprio e de suas opiniões e ir ao encontro do(s) aluno(s) (vértice/centro C, P-n) através de uma plataforma que deve ser construída de acordo com as características de ambos. Por outro lado, o aluno deve realizar o mesmo percurso. A construção desta plataforma implica, assim, a decisão de libertação e de participação activa tanto por parte do professor como do aluno. Perturbações tanto no âmbito do P (anomalias de qualquer tipo) como do P-n (anomalias como, v.g., a desatenção e indisciplina) condicionam o processo de aprendizagem, em relação tanto à herança cognitiva e efectiva como à construção de novos conhecimentos e paradigmas comportamentais.
1.5.2.4 – Cremos que a metodologia clássica que caracterizou o processo de ensino e aprendizagem no Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Dare, Dili, desde o ano lectivo 1955/56 a 1960/61 constitui uma das géneses significativas, a quarta génese, deste sistema de relação triangular. Referimo-nos em particular, e no âmbito de experiência simplesmente pessoal, ao 6º ano (1960/61), quando começámos a ter os primeiros contactos com a filosofia. Dois aspectos marcaram, e marcam, a nossa atitude, aspectos estes que se fossem aplicados no processo contemporâneo, sobretudo com a ajuda dos meios tecnológicos então apenas imagináveis, ou nem isto, permitiriam um maior e melhor sucesso não apenas no estudo da Filosofia e de ciências afins, como de muitas outras áreas: a) DIALÉCTICA; b) SABATINA.
a) DIALÉCTICA. Considerando a Escolástica a Filosofia como “scientia omnium rerum per ultimas causas ratione lumini comparatas” (a ciência de todas as coisas através da busca das suas últimas causas e através da razão humana”), distinguindo assim a Filosofia da Teologia Natural que operava através de referências da razão guiada por condicionantes teológicas, a dialéctica tomasiana (de S. Tomás de Aquino) procedia segundo os seguintes momentos: “Videtur quod…”; “Sed e contra…”; “Quindi…”. No “videtur quod” é enunciada a tese que se pretende demonstrar (vértice/centro P no referido triângulo). O trabalho mais árduo e difícil é aqui a definição de conceitos e da rede de conceitos. No “sed e contra” é feito o mais exaustivamente possível o levantamento das teses/opiniões contrárias, suas argumentações e alcance, etc. (vértice/centro P-n). No “quindi” ou é reafirmada a tese em questão, ou esta é reformulada, ou abre hipóteses para novas formulações, ou é substituída tanto por uma nova tese como por uma das contrárias (vértice/centro A). É lógico que na intenção pedagógica do sistema esta última hipótese não tem espaço, sobretudo tratando-se de questões relacionadas com a doutrina teológica. Porém, enquanto as restantes saídas permitiram a fidelidade necessária no exercício da missão, que foi desenvolvida oficialmente a partir de 1967, esta última saída (nova tese / tese contrária), entendida dentro do conceito do quadrado lógico de oposição de proposições, nas inferências imediatas por oposição: universal afirmativa e negativa – A,E; particular afirmativa e negativa – O,I; contrárias, contraditórias e subcontrárias, (a subsequente tabela de verdade) constitui a razão determinante da opção referida no Ponto 1.7.2.
b) As SABATINAS constituíam espaços semanais, aos sábados, onde se debatiam as teses e/ou os conhecimentos construídos durante a semana. Implicavam momentos que, sem então nos apercebermos, se encaixavam dentro da triangularidade relacional do processo de construção do conhecimento em questão. Pressupunha que, primeiro, cada aluno (vértice/centro P), durante toda a semana tentasse dominar as questões e apropriar-se das conclusões auferidas. Neste sentido, deviam, na sequência do necessário esclarecimento de quaisquer dúvidas, registar por escrito todos os pontos de vista tanto consensuais como problemáticos. Aos sábados, o aluno, enfrentando os colegas e o professor(vértice/centro P), tanto podia assumir a posição de emissor/argumentante como de receptor/adversário, defendendo as posições do “sed e contra” e outras de que a sua criatividade fosse capaz. O objectivo da sabatina era, desta forma, avaliar o processo desenvolvido durante a semana e integrar os conhecimentos num quadro mais global e harmonizante de referências cognitivas e afectivas (vértice/T). Apesar de tal quadro ser pacífico em relação aos padrões e paradigmas reconhecidos pela instituição, não deixou, todavia, de representar, na privacidade secreta da mente uma certa interrogação à qual a pessoal imaturidade, por um lado, e/ou os receios ou a prudência face a possíveis consequências indesejadas de confrontações com a Instituição, por outro, foram adiando. Enquanto, para alguns, a evolução deste adiamento passou a gerar situações de acomodação e reequilibração (teorias de Jean Piaget e outros), para outros, desembocou em posições que se enquadram ou numa das linhas de complexificação das proposições de inferências imediatas ou noutras imprevistas/imprevisíveis. É lógico que, nesta última hipótese, acarretam mudanças relativamente significativas ou radicais do universo cognitivo e afectivo e de atitudes.
1.5.2.5 – Uma outra quinta referência genética remota/próxima desta triangularidade é a Alegoria da Caverna de Platão e/ou sua versão contemporânea encenada pela produção cinematográfica norteamaricana e australiana “The Matrix”, dirigida pelos irmãos Wachomski e protagonizado por Keanu Reeves, Laurence Fishburne e outros. Ambos os autores utilizam uma linguagem indirecta de comunicação, tal como também fazeis Vós, Nai Lia Nains, quando pretendeis transmitir pensamentos, ideias, ideais e acções de natureza metafísica, sobrentural e metacientífica. À falta de uma aprendizagem nossa directa de Vós, assim entendeu Elizabeth Traube (Ibidem, pag. 31): “it is also a culturally prescribed mode of indirect communication”. A mensagem gira à volta da necessidade de o Homem: (a) (vértice/centro P) sair da caverna (da alegoria platónica) ou “livrar-se do domínio das máquinas que evoluíram após o advento da Inteligência Artificial” (Wikipédia);(b) (vétcide/centro P-n) para ter uma visão mais orientada pela “luz do Sol” ou pela reconquista da liberdade conduzida pela mente humana; (c) em busca da “verdade” ou aproximação da verdade que é a realidade (vértice/centro T).
1.5.2.6 – A sexta génese próxima é representada pela relação fichtiana (Johann Gottlieb FICHT, n. 1762, , Rammenau, Alta Lusacia, um dos 25 municípios do Distrito de Bautzen, Alemanha Oriental, e m. 1814 em Berlin; Cfr. Wikipédia), que Johannes Hirsbberger, na sua História de la Filosofia (tradução espanhola, Editorial Herder, Barcelona, 1974) classifica como “Processo tricotómico dialéctico: tesis, antítesis e síntesis (ibidem, pag. 229-230). Transcrevendo: “Tesis – Cominzo originario de toda consciencia es que el ‘yo’ se pone a si mismo: ‘yo son yo (tesis), (…) A=A. (…). Antetesis – Pero a la posición de ‘yo’, en la tesis, debe seguir al punto la antítesis, el ‘no yo’. El yo se pone enfrentando con un ‘no yo’ y tiene que ser así, pues un ‘yo’ sin un ‘no yo’ es tan impensable como una derecha sin una izquierda. (…). Síntesis – Y volviendo ahora la mirada al ‘yo’ total, resulta el tercer paso del proceso, la síntesis, superación de la contradición. En ella reconocemos la unidad del ‘yo’ absoluto, de forma que la síntesis en sí es logicamente lo primero, y la dialéctica representa el camino por el cual el uno, el espíritu, se explicita en lo múltiplo”.
1.5.2.7 – Cremos que a atitude mental gerada pela pedagogia dialéctica escolástica (Ponto 1.7.4.4.a) está na génese da perspectiva da sétima relação triangular, isto é: a inclusão do método fenomenológico tanto na descrição do “videtur quod” (fenómeno/aparição/aparência) da realidade enquanto apreendida pela consciência como na descrição da realidade enquanto coisa-em-si (númeno/”dado”/”facto”) apreendida pela experiência comum e pela experiência científica e filosófica, como igualmente no processo de construção do conhecimento. A ideia com que ficamos desde crianças é que nos parece que Vós, Nai Liana’ins, adoptais análogos procedimentos quando tentais interpretar os fenómenos/sinais/”parece-que” e tomar decisões importantes de acção. Tendo como referência conhecimentos/experiência sobre os fenómenos herdados dos nossos antepassados, admitindo mesmo a hipótese de não possuírem um sistema de conceitos, so a “realidade/coisa em si”, sistema que as ciências contemporâneas tentam dominar cada vez mais e melhor, parece-nos que recorreis ora à observação de situações naturais, ora à oração/”hamulak” e rituais misteriosos” (Elisabeth Traube, op cit.,pag. 11-23), ora ao “urat”, através da análise de órgãos de animais seleccionados e mortos para tal objectivo e/ou através de outros recursos considerados supersticiosos (Cfr. Luís Costa, Dicionário de Tetum, “urat)
1.5.2.7.1 – Nesta inclusão do método fenomenológico, confessamos a ingénua pretensão de pensar que fazemos parte de um “NÓS” internacionalmente reconhecido. Um “NÓS” que, para os ocidentais, vem desde os gregos e as culturas que directa ou indirectamente os influenciaram. Tentavam, os primeiros filósofos/cientistas, interpretar os fenómenos, indo em busca das causas efectivamente primeiras do mundo e do universo (cosmogonias) e do homem (antropogonias), causas primeiras que deveriam ser incausadas, isto é, causas de tudo e de toda a série de causas e efeitos, não sendo elas próprias causadas/efeitos de nenhuma outra. Vendo tais primeiros filósofos/cientistas através da nossa atitude timorense, oriental e primitiva, cremos que não eram simplesmente fisiólogos. Distinguindo, mas não separando, tudo quanto existe, de visível e invisível, coisas e pessoas, cremos que a busca das razões últimas de tudo englobava preocupações cosmogénicas e e antropogénicas. É natural que, de acordo com contextos, umas possam parecer mais prioritárias que as outras. Nesta busca do principio de tudo, alguns pensavam como TALES (624-546 a.c.) que era a ÁGUA; outros como ANAXIMENES (585-528 a.c.) que era o AR; OUTROS como ANAXIMANDRO (610-545 a.c) que deveria ser algo indeterminado e infinito, “indeterminadamente infinito ou infinitamente indeterminado (Johannes Hirschbeger, Historia de la Filosoia, Ed. Herder, 1954, pag. 47); outros com os PITAGÓRICOS por volta dos 570 a.c. que deveria ser algo matemático, o número; Outros como HERÁCLITO (544-484 a.c.) que era o devir, isto é, algo que flui constantemente, assim como a água de uma ribeira que corre continuamente: o faz com que a água com que tomamos banho nunca é sempre a mesma ou, noutros termos, “não podemos tomar banho na mesma água do rio”; outros, como PARMÉNIDES (540-470 a.c.) que, contrariamente aos heraclitianos, deveria ser não algo em contínuo devir mas sim algo uno, universal e sempre o mesmo – SER; outros como EMPÉDOCLES (492-432 a.c) que deveria a um conjunto de quatro elementos: fogo, água, ar e terra; outros como LEUCÍPIO E DEMÓCRITO (460-370 A.C) que deveria ser algo uno, indivisível e indecomponível – os átomos análogo ao “SER” de Parménides; outros consideram como ANAXÁGORAS (500-428 a.c) que o principio constitutivo de todas as coisas são partículas, espérmatas ou homeomerias, eternas, indestrutíveis, imutáveis e numericamente infinitos, os quais movidos, mecanicamente, pelo espírito (Nous) geram a totalidade do coisas e o sentido de ordem e fim de tudo; outros, reconhecendo e partindo de toda esta evolução de hipóteses e teorias anteriores, e considerando que o mundo fenoménico é um mundo construído com base na percepção sensorial falível ou numa experiência primeira e superficial sobre o mundo físico, passaram, com SÓCRATES (469/70-399 a.c) e seus discípulos PLATÃO (428/27-347 a.c) e ARISTÓTELES (348-322 a.c.), para o mundo metafísico, um mundo que está para além ou por detrás do mundo físico ou seja: o mundo do pensamento e das ideias, do ser e da verdade, da alma/espírito e deuses, de valores morais, éticos e políticos, etc,; enfim, esta escola conhecida como “Escola Socrática”, segundo Johannes Hirschberger, (op. cit., pag. 76), e outros autores, criou uma “filosofia perene” e um sistema de ciência e conhecimentos tão perfeitos que “salta hacia el futuro, llega hata nuestros oídos e resonará durante siglos”, “una obra de la que aún hoy vivimos nosotros”; e, citando E. Offmann: “Quedará claro que en la filosofia griega se han agotado fundamentalmente las posibilidades del pensar cosmovisional, se han descubierto los problemas que hasta hoy merecen interés y se han abierto aquellas vías de solución por las que aún andamos nosotros”(idem, ibidem, pag. 39) Foi observando os fenómenos terrestres e celestes que os fundadores da física moderna, Johannes Kepler (1571-1630), Galileo Galilei (1564-1662) e outros, passaram da teoria geocentrista ( a Terra centro do Sistema Solar) para a actual teoria Heliocentrista (o Sol centro do sistema. Immanuel KANT (Abr. 1724-1804) defende que a realidade é composta por fenómeno e númeno e que conhecemos o fenómeno enquanto revelação da coisa em si, mas não o númeno que é a coisa em si; Georg Wilhelm Friedrich HEGEL (Ag. 1770 a Nov. 1831), combatendo a referida distinção kantiana, afirma que “o fenómeno não é um aparecer (uma revelação) subjectivo, distinto de uma essência ou númeno incognoscível, como para Kant; é o próprio a manifestar-se objectivo da essência; possui um valor objectivo. A realidade, última categoria da essência, ( e “a essência é precisamente o que existe, a existência é o fenómeno”) é a “essência revelada exteriormente no fenómeno” (Alexandre Fradique Mourujão, Fenómeno, Enc. Logos) Edmund HUSSERL (Abr. 1859 a Abr. 1938) considera que “o fenómeno como “revelação da essência” não elimina o significado kantiano; ambos se encontram ligados de uma maneira original” ( Idem, ibidem) Martin HEIDEGGER (Set. 1889 a Mai. 1976) afirma que “a noção do fenómeno não se contrapõe à de “coisa em si”; o fenómeno é o em si da coisa no seu manifestar-se; não constitui uma aparência da própria coisa, mas identifica-se com o seu ser” (Idem, ibidem).

1.5.2.7.2 – Heidegger foi professor de um dos nossos professores da Universidade Gregoriana de Roma, Johannes B. Lootz, S.J. Assim, ambos estão também na génese da nossa concepção triangular, nomeadamente aqui em relação à descrição fenomenológica do acto de conhecer apresentada por Nicolai HARMANN (Fev. 1882 a Out. 1950). Apenas um aparte em relação à definição da beleza que Lotz nos deixou inesquecível na memória: “Beleza consiste na harmonia e no equilíbrio entre o interior e exterior.” E foi o estudo da obra de Lotz “Metaphysica Operationis Humanae. Methodo Transcendentali Explicata” (Libreria Edititrice dell’Univesità Gregoriana, Roma, 1972) que nos encaminhou para o esquema de triangularidade relacional de Hartmann que a seguir transcrevemos. (Para um melhor enquadramento, convém ler a fonte original ou pelo menos as páginas integralmente transcritas)
) “1. Em todo o acto de conhecimento (vértice/centro T), um cognoscente e um conhecido, um sujeito e um objecto (respectivamente Vértices/centros P e Pn) se encontram face a face (plataforma B.P – C.Pn). A relação que existe entre os dois é o próprio conhecimento (V/centro T). A oposição entre os dois termos não pode ser suprimida; esta oposição significa que os dois termos são originariamente separados um do outro. (…). 5. Considerada do lado do sujeito (V/Centro P), esta apreensão pode ser descrita como uma saída do sujeito para fora da sua própria esfera e como uma incursão na esfera do objecto (V/centro Pn), a qual é, para o sujeito, transcendente e heterogénea. O sujeito apreende as determinações do objecto e, apreendê-las, fá-las entrar na sua própria esfera. 6. (…). O conhecimento (V/centro T) realiza-se, por assim dizer, em três tempos: o sujeito sai de si (V/centro P), está fora de si (na plataforma B.P – C.Pn) e regressa finalmente a si(sendo “modificado pelo objecto” e situando-se num novo Vértice/Centro A.T e na plataforma A.T-B.P-c.Pn)”. 7. O facto de que o sujeito saia de si para apreender o objecto não muda nada neste. (…) O objecto não é modificado pelo sujeito, mas sim o sujeito pelo objecto. (…)” (N.B.: Os parêntesis incluídos na citação são nossos). (N.Hartmann, Les principes d’une Métaphysique de la Connaissance. Paris, Aubier-Montagne, T.I.pp.87-88).
1.5.2.7.3 – Lotz, na referida obra sobre a metafísica da operação humana, publicada em 1972 (seria de contextualizar que estamos entre 1973 e 1975, no processo de licenciatura em Filosofia), a propósito da obra de Hartmann intitulada “Gundzugue einer Metaphysik der Erkentnis”, comentava (pag. 3 e ss) que este esforço ultrapassou o idealismo kantiano e neokantiano, mas não conseguiu levar a bom termo as portas que tentou abrir para o realismo. Com efeito, diz, Hartmann estabeleceu distinção entre duas regiões (“regiones”), uma “inteligibillis” (inteligível) e outra “transintelligibilis” (transinteligível). Se a intelligibilis permite à teoria do conhecimento chegar ao esclarecimento dos derradeiros problemas (“ultima problemata”), a transintelligibilis não cria condições para uma solução. Assim como para Kant conhecemos o fenómeno , mas não conhecemos o númeno: assim, em Hartmann, se a região intelligibilis distingue e compreende o que já é conhecido (“objectivatum”) e aquilo que pode ser conhecido (“objectivabile”), as questões da região do transintelligibilis, em contrapatida, permanecem insolúveis (insolubília sunt); “Sobretudo, a região transinteligível, não tendo superado plenamente a tese de Kant sobe a coisa-em-si, que é incognoscível ou um X desconhecido, em vez de realizar, defrauda o realismo pretendido (“insuper regio transintelligibilis thesim Kantii de re-in-se, quae insognoscibilis seu ignotum x est, nondum plene superavit indeque realismum potius extenuat”). Apesar desta crítica do nosso professor da Gregoriana, decidimos adoptar o referido esquema de fundo da dialéctica de Hartman, aplicando-o tanto na actividade filosófica normal como na nossa relação pedagógica com os discentes. Aqui, temos insistido que os conhecimentos que resultarem de cada aula não são determinados apenas pelo que o professor e o Programa disciplinar pensam (vértice/centro P), nem apenas pelo que o(s) aluno(s) pensa(m) (V/centro Pn) mas, sim, pela relação que resultar da interacção de ambos, sendo o conhecimento (T) a própria relação em causa.
1.5.2.7.3.a) – Nai Liana’ins, a importância que damos a este aparte de Lotz sobre a descrição fenomenológica do acto de conhecer segundo Hatmann reside no nosso interesse em conhecer se existe e como se posiciona a questão da estrutura do pensamento herdada dos nossos antepassados, ou seja, no fundo como é que eles pensam . O que pensais, por um lado, sobre os fenómenos, ou seja, as coisas tais como se revelam e aparecem aos nossos sentidos e à nossa consciência de timorense. Por ouro lado, o que pensais sobre as coisas-em-si-mesmas, independentemente ou para além de nós as conhecermos ou não. O que pensais sobre as coisas que se podem compreender, as inteligíveis, e sobre as coisas que não se podem compreender, as ininteligíveis ou transinteligíveis O que pensais sobre o visível e o invisível? Enfim, o que pensais sobre todo este conjunto de questões que os europeus e ocidentais encaram da forma como nos ensinam nas escolas. Como é que devemos pensar, nós os timorenses, sem falar dos nossos vizinhos da Indonésia, das Filipinas, do Japão, da China, da Índia, os autóctones da Nova Zelândia e da Austrália?
1.5.2.7.4 – Transferindo este esquema de Hartmann para a relação dialogal, podemos reler a citação inserida no Ponto 1.7.4.7.1 da seguinte forma: Em todo o DIÁLOGO, um emissor (V/Centro P) e um receptor (V/centro Pn) se encontram face a face (V/centro B.P – C.Pn e plataforma A,T – B.P – C.Pn). A oposição entre os dois interlocutores não pode ser suprimida; esta oposição significa que os dois interlocutores são originariamente separados um do outro. (…). Considerado do lado do emissor (C/vértice P), o movimento dialogal pode ser descrito como uma saída do emissor para fora da sua própria esfera e como uma incursão na esfera do receptor (V/centro Pn), situação dialogal que é, tanto para o emissor como para o receptor, transcendente e heterogénea. (…). O DIÁLOGO realiza-se, na realidade, em três momentos: o emissor sai de si (V/centro P), está fora de si (nas plataformas B.P – C.Pn e A.T-B.P-C.Pn) e regressa a si. Contrariamente à relação fenomenológica, porém, aqui, tanto o emissor como o receptor, ambos, “são modificados”. Não apenas no emissor, mas também no receptor “alguma coisa se transformou” pelo investimento e compromisso no DIÁLOGO. Em ambos nasce a consciência do DIÁLOGO como forma de autorealização e de ultrapassagem de diferendos e impasses.
1.5.2.8 – A oitava génese, aquela que consideramos a fonte mais determinante e mais expressiva e sugestiva, é representada pela estrutura orgânica do ser vivo, incluindo o ser humano, desde a sua constituição à dinâmica do seu desenvolvimento e ao seu termo, o termo tanto do indivíduo como como da espécie. É evidente que se trata de um universos absolutamente complexo e que ultrapassa a nossa formação específica e as nossas capacidades pessoais. Estamos certos de que herdastes dos nossos antepassados, venerandos Nai Lian’ins, conhecimentos e orientações práticas sobre este mundo complexo, alguns dos quais conhecemos e de muitos outros temos necessidade e direito de conhecer. Alguns serão fruto da experiência ou de experimentações, outros serão criações da capacidade imaginativa, outras serão míticas e religiosas, outras serão literárias e poéticas. Mas, todas terão, para nós, a mesma legitimidade que congéneres heranças tanto dos outros povos mais ou menos desenvolvidos como também das ciências modernas. E cremos que estas serão mais interessantes se forem confrontadas com a nossa herança cultural e, em particular, se forem revestidas com a nossa forma de percepção e de comunicação. Tornaremos, assim, a linguagem científica universal, objectiva e geometricomatemática, numa linguagem que nos é própria e nos identifica. Enfim, Nai Liana’ins, trate-se do conjunto de questões comuns a todos, ou seja: Como é que o corpo e o cérebro interagem, constituindo um mundo interior dinâmico, harmonioso e estável (V/Centro P)? Como é que o corpo interage com o meio ambiente (V/Centro Pn)? Como é que ambos contribuem para um mundo e um universo facilitadores de uma óptimal qualidade de vida e de uma máxima longevidade (V/Centro T)? Etc. É lógico que esta nossa visão multifacetada de triangularidade relacinal poderá facilitar aproximações no sentido de conquistas científicas e dos Quatro Pilares da Educação construídos pelo “Relatório Jacques Delors” de que falaremos a seu tempo: “Aprender a conhecer. Aprender a fazer. Aprender a viver juntos, aprender a conviver com os outros. Aprender a ser.” Sendo assim, vamos situar-nos em dois níveis: a) O nível macrocósmico, isto é, o funcionamento orgânico. b) O nível microcósmico, ou seja, o nível de microestruturas e do funcionamento do sistema nervoso, da rede neuronal de que ele é estruturado. Iremos aqui tomar como referência um dos especialistas na matéria: António Damásio, cientista e investigador português, professor e chefe do Departamento de Neurologia da Universidade de Iowa, Prémio Pessoa e Prémio Beaumont da Associação Médica Americana – “O Erro de Descartes, Emoção, Razão e Cérebro Humano, (Pub. Europa-América, 2ª Edição, Mira Sintra, Mem Martins, 1994)
1.5.2.8. a) O nível macrocósmico. Na transferência do texto que a seguir vamos fazer, agradecíamos a Vossa atenção, Nai LiaNa’in, no sentido de fazer uma dupla leitura: uma sem os parêntesis, que são nossos e que estão relacionados com o esquema referencial apresentado no Ponto 1.7.3.1; esta será a leitura da transcrição literal da fonte; e a outra com os parêntesis, podendo assim avaliar da correspondência ou não das duas perspectivas e descrições, tendo sempre presente o esquema referencial do Ponto 1.7.3.1. “Se não tivesse havido corpo (V/Centro Pn), não teria surgido cérebro (V/Centro P”) (op. cit. pag. 106)”Sempre que me refiro ao corpo tenho em mente o organismo menos o tecido nervoso (as componentes central e periférica do sistema nervoso), embora num sentido convencional o cérebro faça também parte do corpo” (Op. cit. pag. 102). (…). “O cérebro (V/Centro P) e o corpo (V/centro Pn) encontram-se indissociavelmente integrados por circuitos bioquímicos e neurais reciprocamente dirigidos de um para o outro (plataforma B,P-CPn)”. (Idem, ibidem, pag. 103). “O organismo constituído pela parceria cérebro-corpo interage com o ambiente como um conjunto, não sendo a interacção só do corpo ou só do cérebro (V/Centro A,T)”. (Idem, ibidem, pag. 104).
—- b) O nível microscópico, onde se desenvolve uma outra relação entre um nível ainda mais microscópico e outro macroscópico. Agradecíamos aos venerandos Nai Liana’ins a paciência de fazer a dupla leitura proposta na alínea a). E que nos permitais esclarecer que estas duas duplas leituras poderão contribuir para introduzir certo paralelismo que seguidamente (no Ponto 1.7.9 ?) vamos estabelecer entre o desenvolvimento filogenético e ontogenético e o desenvolvimento da nossa História e da História Universal. “O tecido nervoso (ou neuronal) é constituído por células nervosas (neurónios), apoiadas por células da glia. Os neurónios são células essenciais para a actividade cerebral. Nos nossos cérebros existem biliões destes neurónios organizados em circuitos locais (V/Centro P), os quais, constituem regiões corticais (se estão dispostos em camadas), ou núcleos (se estão agregados em grupos que não formam camadas). (V/Centro Pn). Por último, as regiões corticais e os núcleos estão interligados de modo a formar sistemas, e sistemas de sistemas, com níveis de complexidade progressivamente mais elevados. (V/Centro T). Para ter uma ideia da escala dos elementos envolvidos, deve-se ter em consideração que todos os neurónios e circuitos locais são microscópicos, enquanto as regiões corticais, os núcleos e os sistema são macroscópicos.
Os neurónios possuem três componentes importantes: um corpo celeular; uma fibra principal de saída, o axónio; fibras de entrada ou dentritos. (…). Os neuróniocs estão interligados em circuitos em que existe o equivalente aos fios eléctricos condutores (as fibras axónicas dos neurónios) e aos conectores (sinapses, os pontos nos quais os axónios estabelecem contacto com os dentritos de outros neurónios).
Quando os neurónios se tornam activos (um estado conhecido na gíria da neurociência como “disparos”, é propagada uma corrente eléctrica a partir do corpo celular e ao longo do axónio. (V/Centro P). Esta corrente é o potencial de acção e, quando atinge a sinapse , desencadeia a libertação de susbstâncias químicas conhecidas por neurotransmissores (o glutamato é um desses transmissores). (Plataforma B,P -C.Pn). Por sua vez, os neurotransmissores actuam nos receptores. (V/Centro Pn). Num neurónio de excitação, a interacção cooperativa de muitos outros neurónios (Plataforma A,T – B,P – C,Pn), cujas sinapses estão adjacentes e que poderão ou não libertar os seus próprios transmissores, determina se o próximo neurónio disparará ou não, ou seja, se produzirá o seu próprio potencial de acção que conduzirá à libertação do seu neurotransmissor, e assim sucessivamente.
As sinapses podem ser estimuladoras ou inibidoras. A potência sináptica (V/Centro A,T; Plataforma A,T – B,P – C,Pn) detrmina a possibilidade e a facilidade com que os impulsos continuam a ser transmitidos até ao neurónio seguinte. Em geral, e num neurónio de excitação, uma sinapse estimuladora facilita a transmissão de um dado impulso, enquanto que uma sinapse inibidora o dificulta ou bloqueia” (op. cit. pp. 48-49)
1.5.2.8.1 – Partindo da premissa de que a organização social ou, mais concretamente, o processo da nossa independência nacional, a fim de criar condições de “Viabilidade, Estabilidade, Capacidade e Qualidade”, deveria ser concebida e estruturada à imagem e semelhança das condições geometricomatemáticas e adaptativas que têm constituído suporte tanto da sobrevivência e qualidade desenvolvimental da espécie (filogénese) como de indivíduos e grupos humanos (ontogénese), bem como de outros seres vivos e vulgarmente considerados não-vivos, que nos permitais convidar-Vos, venerandos Nai Liana’ins, a (re)fazer uma leitura social dos dois excertos do “Erro de Descartes” (Pontos 1.7.4.8. a) e b)), integrando os respectivos parênteses por nós introduzidos. Cremos que será uma boa forma de construir e consolidar o desenvolvimento nacional e ultrapassar as crises e os problemas e diferendos que conjuntural ou ciclicamente podem afectar a sociedade. Esperando a Vossa rectificação, tomamos a liberdade de Vos apresentar a nossa leitura nos seguintes pontos: Pontos 1.7.4.9 – a) e b).
1.5.2.8.1 – a) O nível macrocósmico. Assim, se não tivesse havido indivíduo/povo não teria surgido nem Liana’ins, nem Povoações e Sucos, nem Liurais. O povo e o conjunto de entidades e instituições encontram-se indissociavelmente integrados por circuitos bioquímicos e neurais reciprocamente dirigidos de um para o outro. Estes circuitos, gerados pela própria herança genética e genealógica, fazem parte da mesma carne que recebemos dos nossos pais e antepassados e do mesmo sangue dos nossos antepassados que circula nas nossas veias; fazem parte do corpo e o do cérebro com que pensamos e sonhamos; fazem parte da configuração do ADN que nos distingue dos outros povos. Sendo assim, constituem a base dos nossos direitos de identidade e de cidadania que ninguém nos pode negar, dentro e fora do país; fazem parte dos nossos deveres tanto no interior da nossa Mãe-Terra como na diáspora. Em especial, para aqueles onde não existem análogos circuitos, constituem de critérios de definição de ser ou não-ser timorense. E, nesta definição, consideramos muito sensatos os sábios princípios da Bíblia cristã: ” … Pelos frutos conhecereis a árvore…” Este nosso organismo, constituído pela parceria cérebro-corpo, tem determinado a forma da nossa interacção com o ambiente como um conjunto, não sendo interacção só do corpo ou só do cérebro. Neste sentido, esperamos que a Vossa acção, Nai Liana’ins, possa ser determinante para que o PEND/PED (Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento) não se limite apenas à interacção do corpo, ou seja, do material e utilitário, do tecnológico e do crescimento, etc.; e que o PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) também não se limite à interacção do cérebro, criando monstros com saberes o mais altamente qualificados, mas vazios de valores humanos, de valores que caracterizam o nosso povo desde sempre e nos tornam diferentes, especiais, senão únicos.
1.5.2.8.1 – b) O nível microscósmico. A Realidade microcósmica do nosso povo, o “neurónio”, é constituído por cada indivíduo/pessoa, antes e durante o nascimento, bebé e criança, jovem e adulto, velho e e acamado, em coma e após a passagem. Em cada uma delas vive e desenvolve-se um microcosmos absolutamente espantoso. Consultando a internet, a Wukipédia diz que “Há cerca de 86 biliões (até 20 de Fevereiro de 2009 se especulava que havia 100 biliões) de neurónios no sistema nervoso humano”. António Damásio (op. cit. pp. 48-50 e 124-125) considera que “em média, cada neurónio possui cerca de 1000 sinapses, embora alguns possam ter 5000 ou 6000″ e que no nosso cérebro existem 10 biliões de neurónios e 10 triliões de sinapses”. Não vamos entrar de forma alguma nesta realidade tão complexa onde “Não é invulgar depararmo-nos com cientistas que desesperam de alguma vez virem a compreender o cérebro quando são confrontados com a complexidade das conexões entre os neurónios” (Idem, ibidem, pag. 49). O que pretendemos é compreender o tecido social (menos fácil de se quantificar e avaliar) através do tecido nervoso (teoricamente mais possível de se quantificar). E pretendemos compreender considerando cada indivíduo/pessoa como um neurónio no tecido social e atribuindo-lhe análogas funções às dos neurónios e imaginando que o rigor geometricomatemático da sua estrutura e actividade e a qualidade das suas funções possam servir de paradigma tanto para o apreço devido a cada um dos nossos irmãos como para o seu estatuto e papel na construção da História Nacional. Analogamente aos neurónios e respectivas sinapses, cada um de nós seria, receptor e e emissor, (co)produtor de acções, veiculador de informações, para frente e para trás (ao nível interpessoal e interfamiliar ou intergrupal) e para cima e para baixo (entre de Povoações, Sukus e Liurais). Analogamente ao espaço sináptico, os micro e macro espaços sociais constituiriam momentos em que a cada pessoa, em contacto e diálogo com as outras, colocam em comum e em debate informações, dados, questões e problemas, conhecimentos e dúvidas, projectos e sonhos, etc., fazendo o necessário tratamento e reencaminhando para os centros competentes (Povoação/Sukus/Liurais, zonas e subzonas) a sequência adequada dos estímulos sociais. Em síntese, consideramos que o tecido social da nossa nação será consistente na medida em que for construído à imagem e semelhanças do corpo humano e seu tecido nervoso. E pensar assim significa, por outro lado, aceitar os condicionalismos próprios da natureza humana, tanto em termos de êxitos como de crises. E pensar assim significa esperar que a paz, a ausência da guerra e a estabilidade social durem, pelo menos, tanto tempo quanto a a média da longevidade humana, que nos países mais desenvolvidos permite à política aumentar cada vez mais a idade da reforma: em Portugal e na Europa, hoje, 65 ou 70, amanhã, 75 anos e assim sucessivamente.
1.5.2.8.2 – Temos consciência de que se trata de um universo extremamente complexo e desafiante. É que, ao nível do processo de globalização (que esperemos não seja apenas uma moda dos tempos), cada nação terá que saber colocar-se na rede de relações internacionais, que vão do bilateral ao triangular, multilateral, com complexidade crescente e impredeterminável. Cada nação terá que saber defender a sua identidade e valores próprios para não ser absorvida pelas maiores e mais potentes. É que este processo de construção da História Nacional e de participação construtiva na globalização é análogo à complexidade do mundo vivo em geral: “La complexité du monde vivant (vértice/centro T) s’établit para la juxtaposition d’éléments identiques (vétice/centro P) qui se différentient lors de lerus intégration dans un même organisme (vértice/centro Pn). Un exemple d’une telle intégration est le cerveau humain” (Georges Chapouthier, in Pour la Science, nº 314, Décembre 2003, pag.) (nb. Os parêntesis são nossos)
1.5.2.9 – A nona génese, a mais recente e proactiva, é representada pela a relação triangular que pensamos deveria estar na base da CONSTRUÇÃO da nossa HISTÓRIA NACIONAL. Desde que a A Assembleia Geral da ONU, em 1960, colocou Timor entre os Territórios Não-Autogovernantes (Non-Self-Governing-Territories), nasceu em nós a convicção de que a nossa autonomia/independência faz parte do processo desenvolvimental filogenético e ontogenético. Pretendendo descrever esta tese/hipótese ou este “videtur quod” em ordem a identificar a triangularidade relacional que está na origem da nossa autonomia/independência, vamos proceder da seguinte forma: a) num lado, vamos considerar como uma entidade/individualidade a nossa colectividade (timorense) composta pelos diferentes reinos unidos entre si através de laços de fetosá humane, laços de pacto, vg. pactos de aliança, laços estratégicos, laços de proximidade geográfica (visão de insularidade), laços comerciais, etc.; e vamos colocar esta nossa entidade no V/centro P, atribuindo-lhe o lugar de factor ontogenético; b) Do outro lado, vamos considerar a Humanidade, cuja acção é representada e tornada perceptível e através dos povos circunvizinhos que, por sua vez estão relacionados com outros povos vizinhos e assim sucessivamente, englobando toda a espécie humana, numa perspectiva filogenética; e vamos colocar a humanidade como factor no V/Cntro Pn; c) No outro ponto/centro de relação, vamos colocar os restantes seres vivos, bioquímicos e fisicoquímicos, na medida em que eles interferem na nossa existência, nos servem de alimento e nos tornamos neles, na vida e e com a morte; para não ampliarmos ainda mais a rede, vamos colocar aqui também o ambiente/mundo/cosmos; e, nesta prospectiva, vamos colocar este conjunto de factores no V/centro T. Fazendo uma leitura global deste panorama triangular, podemos verificar uma rede de recíprocas acções onde, o mundo/cosmos/restantes-seres-vivos (V/cenro T) agem sobre a humanidade /V/centro Pn) e esta sobre a nossa colectividade V/centro P). Esta rede de acções/influências recíprocas não é de carácter unidireccional mas, sim, reversível e circular. Tendo presente esta rede relacional, parece-nos verosímil que a colocação do nosso caso no processo de descolonização pela ONU representa o início da nova etapa do processo da nossa autonomia/independência. Ao reconhecer a nossa independência/autonomia em 2002 (40 anos após 1060, com conhecido significado de maturidade humana no âmbito do desenvolvimento ontogenético e este arco elástico de tempo colocado numa perspectiva de desenvolvimento filogenético), a comunidade internacional teria proclamado a nossa maturidade humana, reconhecendo as condições de viabilidade, estabilidade da nova nação e as condições de que dispõe para desenvolver capacidades humanas por forma a possibilitar a qualidade necessária na interacção com as restantes nações. Numa visão global podemos assim acreditar que, a nossa História foi concebida desde o tempo da chegada dos portugueses; a gestação durou 500 anos; o período de preparto iniciou em 1960, vindo a culminar com o nascimento da nova nação do Sec. XXI a 20 de Maio de 2009.
1.5.2.9.1 – Partindo da perspectiva de que o desenvolvimento da Humanidade segue um ritmo cosmológico, enquanto as colectividades humanas e o indivíduo seguem um ritmo cronológico; assumindo como hipótese que o ritmo das colectividades humanas é menos controlável e previsível, enquanto algumas teorias (Cfr. Jean Piaget, Siegmund Freud e outros) permitem conhecer com relativa objectividade e controlar etapas de desenvolvimento do indivíduo: vamos supor que a cada fase da vida o indivíduo humano corresponde uma fase fase da colectividade em que este está inserido. Pessoa humana, colectividades humanas e humanidade – questão de tempo cronológico e tempo cosmológico. Noutros termos, vamos considerar, Nai Liana’ins, que a cada etapa do desenvolvimento de cada um dos Vossos filhos corresponde uma fase do desenvolvimento da nossa comunidade local (Reino, Suco, etc., ou nova estrutura político social). E vamos considerar aqui um outro tipo de triangularidade relacional entre as classificações comummente aceites: Juventude, Idade adulta Terceira Idade. ( Juventude até 35 ano, com 5 anos de ( teoria de Erikson) para o enquadramento da vida adulta que vai até aos 60/65 anos…
1.7.9.3 – Estabilidade como condição para a realização do PEND nos 50 anos.
Havendo continuidade e pontuais rupturas entre o sistema governativo tradicional, que é caracterizada por uma democracia materializada através de “um curioso esboço de monarquia electivo-hereditária” (Alberto Osório, p. cit), teríamos experiência pessoal da eficiência e qualidade de tal triangularidade relacional. E isto na medida em que cada pessoa e seu núcleo familiar (vértice/centro P) se relaciona de determinadas formas com os respectivos chefes de povoação e chefes de suco (vértice/centro P-n), e os primeiros e estes com os Nai Liurais e Liana’ins, desenvolvendo estes últimos funções que têm presente todo o passado milenar ao interpretar o presente e os sinais dos tempos indicadores de um futuro possível. No novo sistema republicano timorense, interrogamo-nos sobre tal análoga eficiência e qualidade na medida em que, se no vértice/centro P cada pessoa e seu núcleo familiar permanecem uma e mesma realidade de fundo, pelo contrário, no vértice/centro P-n os chefes de povoação e de suco podem ser substituídos em consequência de eleições periódicas; também no vértice/centro T, por um lado existe idêntica possibilidade de mobilidade de chefia máxima, mas, , por outro lado, existe a alternâncias e polémicas entre aqueles de defendem e constroem a História e aqueles que, como John MacWain no seu slogan de campanha política para as eleições presidencias de 2009, onde perdeu as eleições a favor do Obama, “não defendem a História mas fazem a História”. Apesar dos retóricos sofismas políticos de todos os valores apregoados, o que temos constatado, Nai Lia Nains, é que a eficiência e a qualidade de tal relação triangular entre o cidadão (centro P) e os partidos/municípios/estado (centro P-n) e a nação/presidente-da-república (centro T) têm passado por sucessivas crises (que até podem ser construtivas) e por espantosos factos de assimetrias sociais, de fuga à lei, de uma identidade nacional difusa, de problemas de justiça, corrupção, etc. Nalguns Estados, as prisões ultrapassam os seus limites, e já não bastam polícias em todos os cantos, faltando só colocar um polícia para cada cidadão…Interrogamo-nos se, em tais interrelações, os partidos políticos e as instituições colocam efectivamente o centro T como referência fundamental dos seus programas e projectos políticos ou, pelo contrário, o centro P (individualismo) e o centro P-n (ideologia e grupo partidário)
1.6 – Recolocando o sentido de “NÓS” e ainda na linha da triangularidade relacional, na busca de outros “nós” e numa perspectiva da política de regionalização (proposta que apresentaremos no âmbito do Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento (PEND)), descobrimos António Simões Lopes. Nascido em 1934, com rica e profunda experiência pedagógica e investigativa, é, ultimamente, Presidente da Associação Portuguesa de Desenvolvimento Regional e Reitor da Universidade Técnica de Lisboa. É autor de várias publicações que nos podem ajudar na política timorense de regionalização: “As Funções dos Pequenos Centros, 1971,” como o é Timor Lorosae para a Ásia/Pacífico/Índico e face à ideia de globalização; “Desenvolvimento Regional: problemas e estratégias para uma política de desenvolvimento em Portugal” 1976; “Desenvolvimento: Desenvolvimento Regional”, 1978; Regional Development and Integration”, 11979; “Regional Development in Portugal 1981; Regionalização e Desenvolvimento”, 1982; “Teoria e Política de Desenvolvimento Regional”, 1983; Desenvolvimento Regional e Integração Económica”, 1986; Perspectivas de Desenvolvimento” 1987; “Encruzilhadas do Desenvolvimento”, 1987.
1.6.1 – Este diálogo e aprendizagem contínua extracurricular começou com a obra “Desenvolvimento Regional” do professor catedrático investigador, Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2001. Não escondemos a feliz surpresa em descobrir, em 2009, uma pessoa tão altamente qualificada que, em determinados aspectos confirma ou se aproxima da nossa perspectiva. Trata-se de uma visão que, tendo iniciado em Dare (ver Ponto 1.7.4.3) e amadurecido em Macau, no Seminário Maior de S. José em Macau, entre entre 1961 e 1966, foi formulado entre 1973 e 1975, na Universidade Gregoriana de Roma. Citando, “importa a caracterização do todo (o País) sem descurar as características das partes (as regiões); importa conhecer as relações dentro de cada uma das partes e o todo; importa conhecer as relações dentro de cada uma das partes; importa conhecer as relações entre as partes”.(Simões Lopes, op. cit., pag. 5) Aplicando ao nosso esquema triangular e múltiplo: “importa conhecer a caracterização do todo” (A,T) sem descurar as características das partes (B,P e C,P-n); importa conhecer as relações dentro de cada uma das partes (P singularmente e P integrado no P-n), tendo consciência clara de que no interior de cada um dos P actua um universo intrincado de inúmeras relações microcósmicas, triangulares e múltiplas; “importa conhecer as relações entre as partes e o todo” (B,P-AT; C,P-n-AT); “importa conhecer as relações dentro de cada uma das partes” (P-P-n); “importa conhecer as relações entre as partes” ((B,P)-(C,P-n)); e, imprescindivelmente, importa conhecer a plataforma onde o o A,T, B,P, e C,P-n se encontram, se entrelaçam e se misturam, sendo uns os outros e não anihilando a respectiva individualidade e características (A,T-C,P-C,P-n).
1.6.2 – A mesma surpresa nos cativa a atenção quando Simões Lopes refere Christaller, Walter, no Ponto 3.5.2 do Dsenvolvimento Regional, pag. 218 e seguintes: “Teoria dos lugares centrais: Christaller e as regiões suplementares”. De acordo com Wikipédia, Christaller é um geógrafo alemão (1893-1969). Assumiu o encargo de elaborar o plano para a reconfiguração do mapa económico da Alemanha e suas conquistas, desde Tsecoslováquia e Polónia até à Russía, tendo como pano de fundo, como sabeis, Nai Lia Nains, através da guerra Japão-Austrália, quando se constava que havia um plano da divisão do mundo entre Alemanha e Japão. A propósito da reconfiguração do mapa nacional timorense, lembramo-nos de um dos colegas da Comissão Política do CNRT (Cons. Nac. Resist. Timorense), líder de um dos partidos históricos responsáveis pela guerra civil em Timor, que, durante o Encontro de Darwin, (encontro que coincidiu com a libertação do Xanana e sua sucessiva entrada em Timor), ao tratar-se de um novo plano de Divisão Administrativa do território, afirmava que esta seria feita com régua e esquadro. Cremos que, se o seu partido reunisse a maioria absoluta e constituísse o primeiro ou o segundo governo da nossa Nação e tentasse aplicar a tal divisão administrativa, talvez hoje estivesse também posto na rua.
1.6.2.1 – Graças assim a Simões Lopes descobrimos, nesta premeira metade de 2009, que, pelo menos, em certos aspectos do campo de lugares centrais: a) Christaller faz parte do “Nós” ou, talvez melhor dito, b) “Nós” fazemos parte da visão do modelo conceptual em questão de Christaller. Sendo verdade, não escondemos o nosso espantos em saber que, já quase 40 anos antes de formalizarmos a nossa visão de triangularidade, havia mais que alguém, que, na sua teoria económica pensava como nós.
1.6.2.1 – a) Assim, assumimos a veleidade de pensar que Christaller faz parte do “nós”, e sentimo-nos muito honrados por isto, na medida em que o seu pressuposto e hipotético modelo geometricomatemático apresenta uma referência triangular: triangularidade que, considerada numa “paisagem em maior extensão conduz a configurações exagonais”, gera sucessivamente uma rede complexa de relações triangulares e exagonais.

Relaçao Triangulara Simples – Christaller, Walter. Fonte: A.Simoões Lopes, Desenvolvimento Regional, Ed. Calouste Gulbenkian,Lisboa, 2001, p. 220
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Relaçao Triangulara Simples – Christaller, Walter. Fonte: A.Simoões Lopes, Desenvolvimento Regional, Ed. Calouste Gulbenkian,Lisboa, 2001, p. 220

Relaçao Triangular Multipla, Rede Relacional – Christaller, Walter. Fonte: A.Simoões Lopes, Desenvolvimento Regional, Ed. Calouste Gulbenkian,Lisboa, 2001, p. 220
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1.6.2.1 – b) “Nós” consideramo-nos participantes do modelo conceptual de Christaller na medida, situando-nos embora numa plataforma mais englobante e não exclusivamente metafísica, necessitamos da realidade concreta e particular quer para verificar a objectividade da própria plataforma, quer para dar continuidade ao percurso, quer também para encontrar outros caminhos diferentes ou alternativos, etc. E necessitamos que a realidade concreta seja processada “segundo um padrão triangular que garante a existência de distâncias iguais ente os compradores mais próximos”, ou seja, distâncias “iguais” entre as variáveis mais próximas, cujo entecruzamento com as restantes variáveis permita uma percepção mais próxima da realidade que é a verdade ou mais próxima da verdade que é a realidade. Assim e muito modestamente, consideramos que a questão de “razões de ordem económica assentes em princípios reguladores da oferta e da procura dos bens e serviços”, ou a questão de conciliação/equilibração entre a “maximização do lucro, preocupação do empresário” e a “minimização do esforço (e de custo) que é a preocupação do comprador” (Desenvolvimento Regional, p.219), ou a questão dos conceitos de “limiar de procura – o mínimo de procura que justifica a iniciativa da oferta do bem – e de alcance do bem – a distância e custo máximo que o comprador está disposto a suportar para efectuar a aquisição” (idem e ibidem, pag. 220), enfim, todo este conjunto de questões e infinitas outras congéneres não constituem senão uma das inúmeras variáveis que devem ser tidas em conta para que a múltipla triangularidade relacional que estamos a propor possa ganhar um sentido rigoroso do ponto de vista conceptual e teórico e, ao mesmo tempo, um sentido objectivo e operacional do ponto de vista científico e técnico. E temos a certeza de que Vós, Nai Lia Nains (que, ao analisardes e avaliardes as questões espaciotemporais tendes ao mesmo tempo e sempre presente a respectiva dimensão de a/espacialiade e atemporalidade) sabeis e sabereis incutir em nós, vossos descendentes, a atitude de não separar ou criar dicotomias mas, pelo contrário, encontrar aproximações entre o particular e o universal, entre o nosso tempo e o dos nossos antepassados e entre o tempo de todos e o tempo primordial.
1.6.2.2 – A diferença entre a duas visões triangulares (de Christaller:Img. 5,6,7 e nossa: Imag. 3,4 – Ponto 1.5.1.1) pode ser representada através da diferença entre as “ciências de todas as coisas, abordadas através da razão humana e das suas últimas causas” (nosso ponto de vista) e as ciências de coisas particulares, abordadas através da sua rede de causas próximas ou relativamente remotas; é a diferença entre o conceito hoje aparentemente ultrapassado de ciências aproximativas e problemáticas e ciências exactas, objectivas, experimentalmente verifcáveis, etc.; é a diferença entre relações quantificáveis, mas não quantificadas, e relações que devem ser quantificadas para permitirem a clarividência necessária; é a diferença entre as ciências filosóficas ou metafísicas e as ciências experimentais e físicas. Noutros termos, Enquanto a rede de triangularidade relacional de Christaller é isotrópica, a nossa, se bem que a tenha implícita, não é de natureza global isotrópica.
1.6.2.3 – Para a perspectiva em que nos situamos a quantificação significa uma simplificação importante ou necessária para se ter uma percepção mais concreta e objectiva da realidade, mas torna-se extremamente complexa ou mesmo inadequada para descrever relações de natureza abstracta e englobalizante.

1.6.3 – Uma visita fortuita a uma exposição do Museu Colecção de Berardo, permitiu-nos um encontro com Peter Kogler. Ficamos surpreendidos em descobrir há mais pessoas cujos recantos de visão se aproximam da nossa: a visão de rede de “imagens simbólicas”, de rede de triângulos e de emaranhado/entrelaçamento de tubos, onde ” a identidade e a individualidade do ser humano é distorcida e dissipada em retratos anónimos compostos por redes”. Na certeza de que os autores não se opõem, tomamos a liberdade de transcrever passagens do cartaz de apresentação da “Exposição Temporária do Museu Colecção de Berardo:
“O artista austríaco Peter Kogler (n. 1959) alcançou renome internacional, em finais da década de 1970, com os seus trabalhos relacionados com o espaço e que reflectem sobre a natureza e o impacto dos media modernos. Kogler desenvolveu um vocabulário de imagens simbólicas e ornamentais que faz referência à mediatização da sociedade e à sua crescente exposição à tecnlogia, bem como aos potenciasis e armadilhas que daí decorrem. Os desenhos e objectos de cartão do início da sua carreira, com imagens figurativas modulares, antecipam os seus mais recentes desenhos gerados por computador, nos quais a identidade e a individualidade do ser jhumano é distorcida e dissipada em retratos anónimos compostos por redes.
O artista encontrou na formiga e no cérebro dois temas básicos que unem o simbólico ao orgânico, fazendo assim referência à interpenetração da natureza e da tecnologia, a realidade e o virtual. O labirinto, como símbolo de uma sociedade operada em rede pelos media, é outro tema central que Kogler interliga com o espaço real em lpprojecção de video e murais extremamente varidos, opondo à estética e tradicional geometria euclidiana do espaço”
1.6.3.1- Dado que as fotografias que tiramos da exposição de Berardo para este site se perderam, devido a um erro fatal, por ocasião da reparação do nosso computador, escaneámos do referido cartaz as imagens que seguem. As fotografias seleccionavam especialmente três das cinco imagens simbólicas incluídas na Img. nº 10: o cérebro e o globo terrestre envolvidos numa rede de triângulos. Pode não ser esta a intenção do artista Peter Kogler, mas é esta a nossa visão: o mundo, o universo, o corpo ou o cérebro humano, enfim, a natureza falam uma linguagem geométrica e matemática, uma linguagem feita de números e de linhas, triângulos, círculos, etc. Se o irmão (timorense) e os interessados quiserem fazer a experiência que sugerimos no texto “Timor-Diáspora”, Ponto 2.1.5.a.2.2, desenvolvendo e verificando os sucessivos níveis da triangularidade relacional, chegareis a um panorama semelhante ao que a seguir vedes:

Img. 8

1.7 – Contextualização – Ver texto “Timor-Diáspora: Quem Somos?”

1.8. Caminhos a trilhar, “rai ni lolain, sauna mret mret ni lolain”, metodologia

Img. 8 – Universos diferentes, aparentemente desconexos, mas que têm um e mesmo fio condutor: A visão pessoal do visível e do invisível, do real e do possível
Em uma palavra, a metodologia pela qual nos guiamos é aquela que aprendemos no Seminário de Dare, Timor L., desde a década de 50 até hoje: “Scientia omnium rerum per ultimas causas, ratione llimini, comparatas.” Através da razão, não entendida apenas no sentido clássico, elaborar uma ciência de todas as coisas, tanto na sua dimensão singular/particular como integrada no global, dividindo cada coisa em tantas partes quanto necessárias, através de análises, sínteses, sucessivas verificações (Descartes), coisas como nos são apresentadas pelas ciências experimentais e pela nossa experiência directa/pessoal, coisas como nos são apresentadas pelo bom senso, pelo senso comum e também pela experiência mística, religiosa. Partir do dado/facto, sempre em constantes transformação, para intuir a sua natureza, suas leis, seu ssentido. Partir dos fenómenos para conhecer o númeno.Trata-se de uma aventura,um sonho ou uma utopia, um risco. Mas vale a pena o risco quando a esperança é grande e bela a recompensa. E a esperança é grande porque há outros melhores que nos e que estão a fazer o mesmo que nós. E bela a recompensa porque descubrimos um/o sentido das coisas e da vida, permitindo-nos viver e morrer com serenidade.

1.9 – Cenários
Para já, as questões onde vamois centrar o nosso diálogo seguem um itinerário que parte do nosso Plano estrtégico Nacional de Desenvolvimento (PENDTL): 1. Identidade. 2. Plano Nacional de Desenvolvimento (PENTL). 3. Plano Estratégico Nacional de Desenvolvimento (PEND/PEDTL. 4. A Ideia de Libertação (Uma questão que ficou incompleta de Roma, 1975, Tese de Doutoramento em Filosofia). 5. O Homem como Coisa (Hipótese de Tese de Mestrado, na Universidade Nova de Lisboa. Compromissos profissionais e colaterais foram-nos obrigando a adiar abordagem destas e outras questões que virão oportunamente a seguir. Aposentado desde 2008, teremos mais tempo para divagar por estes mundos, com a intenção de dialogar com o irmão timorense e com todos aqueles que estiverem interessados, deixando para a eventualidade um testamento/testemunho de esperiência pessoal. As referidas questões encontram-se explicta ou implicitamente nos dois organogramas conceptuais que a seguir, entretanto, deixamos:

1.9.1 – IDENTIDADE, PNDTL e PENDTL/PEDTL
Concebido desde há anos (mais concretamente Same, 1967-1973), foi formalizado em 1998, pouco antes e após a Convenção de Peniche.

pend1998-2050-2060

 

 

 

 

1.9.2 – Sistema Educativo Timorense

Tendo iniciado a sua concepção entre 1983 e 1985/88, foi apresentado na Conferência de Melbourne, entre 5 e 9 de Abril de 1999, e foi apresentado ao Presidente do Conselho Nacional da Resistência Timorente durante o Encontro de Darwin, entre Setembro e Outubro de 1999, na sequência do qual Xanana Gusmão e parte dos membros do CNRT deram entrada em Dili. O organograma foi inspirado por diferentes modelos de sistema educativo da Comunidade Europeia publicados no Boletim Informativo do Ministérios da Educação e de Universidades, nº 10, Junho 1981, 1. Política da Educação.

Sobre timordi

50-60 em Escola Salesiana de Lahane, Colégio de Maliana, Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Dare, Dili, Timor L/L. 1960-1965 em Macau, Seminário de S. José. 1966-1973 em Same, zona Sul de Timor L/L. 1973-1983 em Roma, LIcenciatura em Filosofia e Curriculum de Doutoramento em Filosofia na Universidade Gregoriana. 1983 em Portugal, projecto de vida - Filosofia, professor, Curriculum de Mestrado em Filosofia, Fundação e Presidente da Associação Timorense (AT) entre 1983 e 1985 (criada com objectivo particular de Espaço de Diálogo e de Formação de Quadros Timorenses na Diáspora e no Interior - Sítio: wp.timor-diaspora.com/wp-login.php). Membro da Comissão Política do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT). Organiza e participa nos Encontros e Conferências de Vila Moura (Algarve, Portugal), Melbourne (Austrália) Darwin (Austrália). Lecciona Filosofia no Seminário Maior S. Pedro e S. Paulo em Fatumeta, Dili (Timor L/L) entre 2000 e 2002. Na sequência da dissolução do CNRT em 2002, opta por desenvolver actividades na Diáspora - Defende uma Política de Diáspora; cria Assoicaição Apoio à Diocese de Baucau (Sítio - http://aadb.home.sapo.pt); organiza a comemoração na Diáspora do 10º Aniversário da Independência de Timor L/L; coordena o Grupo COCC 2012 (Comissão Organizadora de Conferências e Congressos com início de actividades em 2011/2012. Com a COCC 2012 organiza o Primeiro Congresso de Sociedade Civil de Diáspora da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e a Lusofonia.
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Uma Resposta a Memórias – Alberto Araújo, Seloi, Aileu, Timor Lorosa’e

  1. lemona diz:

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    empréstimo de dinheiro não hesitam a contactá-lo, far-se-á um prazer
    imenso ajudá-los obrigado de fazer como mim e enviar vosso
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    duvalles.phillips@outlook.com

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    Boa Possibilidade!

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