D. José Joaquim Ribeiro – Homenagem de Domingos Oliveira

Domingos Oliveira – Um dos colegas do Seminário de Nossa Senhora de Fátima de Dare, Dili Timor Leste/Lorosa’e, onde também estudaram Xana Gusmão, Francisco Lopes da Cruz, já Embaixador da Indonésia em Portugal, enfim, todos aqueles que afirma Jill Jolliffe no seu livro “Timor Terra Sangrenta”, Ed. O Jornal, Lisboa 1989, p. 29: “Dando educação aos Timorense, a Igreja era uma espécie de escola para os nacionalistas. A história de muitos daqueles que vieram a tornar-se dirigentes da FRETILIN e da UDT (os responsáveis pela guerra civil e pelas subsequentes mortes) depois de 1974 era muito semelhante e a lista de alunos de padre José Teixeira no Seminário de São José em Macau, nos anos anteriores a 1974, parecia uma lista de políticos timorenses”.

UM TIMORENSE DE ALMA E CORAÇÃO_D. JOSE JOAQUIM RIBEIRO

FALECEU NA SEMANA PASSADA EM PORTUGAL, O BISPO RESIGNATÁRIO DA DIOCESE DE DÍLI, DOM JOSÉ JOAQUIM RIBEIRO.

ALUNO DISTINTO EM MATEMÁTICA E CIÊNCIAS NATURAIS, FORAM-LHE CONFIADAS ALGUMAS CADEIRAS DA SECÇÃO DE CIÊNCIAS NO SEMINÁRIO DE ÉVORA DE QUE FOI REITOR DURANTE ALGUNS ANOS, ANTES DE ASCENDER AO CARGO DE BISPO AUXILIAR DA DIOCESE EBORENSE. HUMILDE E SIMPLES NO TRATO, MAS DE CARACTER FORTE E FRONTAL NAS SUAS PALAVRAS, EXERCEU COM INVULGAR BRILHO AS FUNÇÕES QUE LHE FORAM CONFIADAS NAQUELA DIOCESE.

MAS, LEVADO POR ZELO MISSIONÁRIO, OS SEUS PENSAMENTOS ESTAVAM SEMPRE VIRADOS PARA O ENTÃO ULTRAMAR PORTUGUÊS.

OS SONHOS DE DOM JOSÉ JOAQUIM RIBEIRO TORNARAM-SE REALIDADE, QUANDO FOI COLOCADO COMO BISPO AUXILIAR DA DIOCESE DE DILI, COM DIREITO A SUCESSÃO.

A CIDADE DE DILI RECEBEU-O APOTEOTICAMENTE, COM DEZENAS DE MILHARES DE CRISTÃOS E DA POPULAÇÃO EM GERAL QUE SE ASSOCIARAM ÀS AUTORIDADES CIVIS E MILITARES PARA SAUDAR O NOVO PRELADO.

COM A RESIGNAÇÃO FORMAL DO SENHOR DOM JAIME GOULART, DOM JOSE JOAQUIM RIBEIRO, TOMOU CONTA DA DIOCESE A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1967.

RENOVAÇÃO NA CONTINUIDADE FOI POR ASSIM DIZER O LEMA DO NOVO BISPO QUE SEM DIMINUIR AS ACTIVIDADES DA IGREJA EM DIVERSOS SECTORES DA DIOCESE, ESTABELECEU A FUNDAÇÃO BISPO MEDEIROS DESTINADA A SUBSIDIAR OS TIMORENSES QUE PROVASSEM CAPACIDADE INTELCTUAL E QUIZESSEM CONTINUAR OS ESTUDOS UNIVERSITÁRIOS EM PORTUGAL OU NOUTROS PAISES.

DOM JOSE RIBEIRO COSTUMAVA AFIRMAR QUE TIMOR SÓ PODERIA DESENVOLVER-SE COM UMA ELITE TIMORENSE EM TODOS OS SECTORES DA ACTIVIDADE HUMANA, NOMEADAMENTE, NA SAÚDE, ECONOMIA E EDUCAÇÃO.

SEGUINDO AS PISADAS DO SEU ANTECESSOR, DOM JOSÉ JOAQUIM RIBEIRO ESTEVE SEMPRE AO LADO DO POVO HUMILDE. ENTROU MUITAS VEZES EM CHOQUE COM AS AUTORIDADES, MAS COSTUMAVA DIZER QUE A SUA IDA A TIMOR TINHA SIDO PRECISAMENTE PARA SE IDENTIFICAR COM OS MAIS POBRES E TRABALHAR PARA O REINO DE DEUS EM TIMOR, CONTRIBUINDO AO MESMO TEMPO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-ECONÓMICO DAQUELE POVO.

 AS SUAS CARTAS PASTORAIS SOBRE ALGUNS PROBLEMAS MAIS CANDENTES DE TIMOR, O ESTILO FRONTAL, LÓGICO E PERSUASIVO DOS SEUS SERMÕES CAUSARAM-LHE DISSABORES QUE NUNCA O DESANIMARAM NA DENÚNCIA DE ERROS E INJUSTIÇAS SOCIAIS.

FIEL AOS ENSINAMENTOS DA IGREJA, D. JOSÉ PROCUROU SEMPRE MANTER A NEUTRALIDADE DA IGREJA.

TODAVIA, NUNCA DEIXOU DE INDIRECTAMENTE INCIDIR A LUZ DO EVANGELHO NA VIDA POLITICA TIMORENSE. E QUANDO VIU ABUSOS DE CERTOS LIDERES TIMORENSES, ENFRENTOU-OS CORAJOSAMENTE PARA LHES DENUNCIAR OS CRIMES E ACTOS DESUMANOS POR ELES PRATICADOS.

DURANTE CERCA DE TRÊS MESES – DE AGOSTO A NOVEMBRO DE 1975 – D JOSÉ JOAQUIM RIBEIRO PERCORREU INCANSAVELMENTE RUAS DE DILI PARA VISITAR FAMILIAS,  AS CADEIAS OU O HOSPITAL DE DILI, ONDE SE ENCONTRAVAM OS PRISIONEIROS POLÍTICOS DA FRETILIN, LEVANDO-LHES  ÁGUA OU O VIÁTICO, COSOLANDO-OS E ENCORAJANDO-OS NA DEFESA DOS SEUS IDEAIS, APESAR DOS TRATAMENTOS DESUMANOS POR QUE ESTAVAM A PASSAR .

D. JOSE RIBEIRO MOSTROU MAIS UMA VEZ A SUA BRAVURA E TOTAL DEDICAÇÃO NA DEFESA DO POVO TIMORENSE, QUANDO OUTRA  ONDA DA VIOLÊNCIA E GENOCÍDIO AVASSALOU TIMOR.

DESDE DEZEMBRO DE 1975 ATE OUTUBRO DE 1977 NÃO PAROU COM PALAVRAS E ACÇÕES EM PROL DO POVO MARTIR DE TIMOR.

ESCREVEU EM JANEIRIO DE 1976 UMA CARTA AO GENERAL SUHARTO SOBRE AS MORTES INDISCRIMINADAS, O ASSAQUE AOS DEPATRTAMENTOS PÚBLICOS, ÀS MORADIAS PARTICULARES E IGREJAS E SOBRE  A DESTRUIÇÃO LEVADA A EFEITO PELOS SOLDADOS INDONÉSIOS. PROFUNDAMENTE CHOCADO PELA DENÚNCIA DO BISPO, SUHARTO MANDOU A TIMOR QUARENTA GENERAIS QUE REGRESSARAM MUITO DESGOSTOS DO QUE CONFIRMARAM EM TIMOR!

APROVEITAVA AS MISSAS DOMINICAIS E PROCISSÕES PARA DENUNCIAR OS CRIMES E AS VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS PRATICADOS PELOS MILITARES  INDONÉSIOS.

CHEGOU MESMO A AFIRMAR A UM EMBAIXADOR AMERICANO  QUE A CULPA DE TIMOR CHEGAR AQUELE ESTADO ERA DA ONU, AMERICA, PORTUGAL E INDONESIA E QUE CABIA A ESSES PAISES E A COMUNIDADE INTERNACIONAL RESOLVER O PROBLEMA ATRAVÉS DE UM PROCESSO DEMOCRÁTICO EM QUE FOSSE RESPEITADA A VONTADE DA MAIORIA DO POVO TIMORENSE.

NÃO INTERSSAVA À INDONÉSIA QUE UMA PERSONALIDADE COMO A DE  D. JOSE JOAQUIM RIBEIRO CONTINUASSE EM TIMOR.

ASSIM, O GOVERNO DITATORIAL DE SUHARTO FEZ TUDO PARA QUE ESSE DESTEMIDO ARAUTO DA VERDADE E ACÉRRIMO DEFENSOR DOS OPRIMIDOS FOSSE ACONSELHADO PELA SANTA SÉ A DEIXAR TIMOR E, NO SILÊNCIO E RETIRO NA SUA TERRA NATAL, ACOMPANHAR E SOLIDARIZAR-SE COM O SOFRIMENTO E A LUTA PELA LIBERDADE DAQUELE POVO QUE TANTO AMAVA!

AO REFERIR-ME, A LARGOS  TRAÇOS, A ESSE BISPO TÃO INSIGNE, QUERO PRESTAR-LHE UMA RESPEITOSA HOMENAGEM COMO CATÓLICO E TIMORENSE.

FAÇO-O PRINCIPALMENTE COMO TESTEMUNHO DE TUDO QUANTO FEZ POR TIMOR E SUAS GENTES!

QUE DEUS O RECEBA NA SUA ETERNA GLÓRIA E TIMOR NÃO SE ESQUEÇA DAQUELES QUE – COMO DOM JOSÉ JOAQUIM RIBEIRO – EMULARAM AS PRÓPRIAS VIDAS PARA UM TIMOR MAIS JUSTO, HARMONIOSO, LIVRE, DEMOCRÁTICO, HUMANO E VERDAEIRAMENTRE CRISTÃO!

DOMINGOS DE OLIVEIRA

Sobre timordi

50-60 em Escola Salesiana de Lahane, Colégio de Maliana, Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Dare, Dili, Timor L/L. 1960-1965 em Macau, Seminário de S. José. 1966-1973 em Same, zona Sul de Timor L/L. 1973-1983 em Roma, LIcenciatura em Filosofia e Curriculum de Doutoramento em Filosofia na Universidade Gregoriana. 1983 em Portugal, projecto de vida - Filosofia, professor, Curriculum de Mestrado em Filosofia, Fundação e Presidente da Associação Timorense (AT) entre 1983 e 1985 (criada com objectivo particular de Espaço de Diálogo e de Formação de Quadros Timorenses na Diáspora e no Interior - Sítio: wp.timor-diaspora.com/wp-login.php). Membro da Comissão Política do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT). Organiza e participa nos Encontros e Conferências de Vila Moura (Algarve, Portugal), Melbourne (Austrália) Darwin (Austrália). Lecciona Filosofia no Seminário Maior S. Pedro e S. Paulo em Fatumeta, Dili (Timor L/L) entre 2000 e 2002. Na sequência da dissolução do CNRT em 2002, opta por desenvolver actividades na Diáspora - Defende uma Política de Diáspora; cria Assoicaição Apoio à Diocese de Baucau (Sítio - http://aadb.home.sapo.pt); organiza a comemoração na Diáspora do 10º Aniversário da Independência de Timor L/L; coordena o Grupo COCC 2012 (Comissão Organizadora de Conferências e Congressos com início de actividades em 2011/2012. Com a COCC 2012 organiza o Primeiro Congresso de Sociedade Civil de Diáspora da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e a Lusofonia.
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