ECOS DO PACÍFICO – EWC-FÓRUM DAS ILHAS DO PACÍFCO

ECOS DO PACÍFICO – East West Center (EWC)- FÓRUM DAS ILHAS DO PACÍFICO

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Desde um Congresso que passou para uma Convenção realizada em Peniche, 23-27abr198, e desde os inícios do independência nacional (Timor Lorosa’e), sobretudo desde 2002, que, pensando numa estratégia de desenvolvimento nacional, continuo a acreditar que a forma de garantir a VIABILIDDE, a ESTABILIDADE, a CAPACIDADE e a QUALIDADE DA INDEPENDÊNCIA passa pela integração do país em grandes organizações internacionais. Para os países pequenos ou minúsculos, como é o caso timorense, para se defenderem melhor perante interesses geopolíticos mundiais e regionais – interesses americanos, europeus, árabes, australianos/anglo-saxónicos, japoneses e das novas potencias emergentes conhecidas por …., esta integração é vital.
Neste sentido, cedo, Timor-Leste/Lorosa’e (Timor L/L) entrou a fazer parte da CPLP (01ago2002), 191º membro da ONU (01set2002) e espera, em breve, fazer parte da ASEAN.
Mas, desde então e neste sentido, continuo a acreditar naquele princípio que aprendemos nas aulas de Filosofia a partir da metade dos anos 50: PARES CUM PARIBUS FACILIME CONGREGANTUR. Assim, pretender congregar-se com os grandes, pode correr o risco de ser absorvido/aglutinado por estes. E, pretender igualar-se a estes, pode acontecer como a fábula da rã e do boi, de La Fontaine, que transcrevemos da Ed. Actividades Editoriais L.da, Lisboa, Mem Martins, Agosto 1999, p. 39:

“Certa rã viu um toiro, e pretendendo
Igualá-lo em grandeza, foi bebendo,
A ver se inchando muito o igualava.
Um filho que loucura tal notava,
Lhe disse: ‘Minha mãe, vai enganada,
Porque à vista de um toiro sempre és nada.
Não vás bebendo mais; porque arrebentas
Primeiro que consigas o que intentas.’
A tudo se fez surda; e mais bebia:
Sucedeu como o filho lhe dizia.”

Indo em busca de PARES, em tamanho e outras condições, na região ÁSIA/PACÍFICO, descobri, assim, depois de 2002, o “East West Center” (EWC), do qual tenho recebido sucessivas informações, e o “Fórum das Ilhas do Pacífico”, que inclui as ilhas do Pacífico Norte e Pacífico Sul, abrangendo o continente-ilha ou ilha-continente – a Austrália. Conhecemos todos os históricos interesses da Austrália e da Indonésia em relação a Timor L/L, mas a integração nas referidas macropotêncas (ONU, CPLP, ASEAN) e nestas micropotências poderão garantir a sustentabilidade da VIABIIDADE, ESTABILIDADE, CAPACIADE E QUALIDADE da independência nacional timorense.

E tal garantia pode ser assegurada pela filosofia e pela estratégia de “TRIANGUARIDADE RELACIONAL E MÚLTIPLA TRIANGULARIDADE RELACIONAL” que começamos a desenvolver e defender desde a década dos anos 70, durante os 10 anos que passámos em Roma. (Ver descrição no http://www.timor-diaspora.com, “Diálogo com os Venerando LiaNa’in”, Alberto Araújo.

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A propósito do EWC, a descoberta trouxe-me surpresa de coincidências de acontecimentos, fenómeno que temos referido em outros espaços e tempos. Trata-se do processo da DESCOLONIZAÇÃO lançada pela ONU. Refiro-me à necessidade de formação de recursos humanos, nomeadamente de liderança e chefia, com vista a um mínimo de condições para a autogovernação dos países descolonizandos. Limitando-me a Timor Lorosa’e, então Timor Português, enquanto os EUA criavam em Honolulu, Havai, o East West Center, a Igreja em Timor, a partir dos finais de 59 e princípios de 70, começou a formar Quadros de recursos humanos em função da radicação local da evangelização, alguns dos quais se tornaram, 15 anos depois, a partir da independência nacional em 2002, passaram a constituir a liderança e chefia da Primeira Nação do Século XXI – Timor-Leste/Lorosa’e. Xanana Gusmão, Francisco Lopes da Cruz, Francisco Xavier Amaral, muitos que foram mortos durante a ocupação indonésia e alguns ou muitos dos actuais construtores da Nação ou saíram do Seminário e foram meus colegas ou contemporâneos ou estudaram nas escolas da Igreja, do Colégio de Ossú, do Colégio de Maliana, do Colégio de Soibada, constituído por um Colégio Feminino e um Colégio Masculino, onde também estudo Ramos Horta. Soibada onde se formaram os primeiros professores, Professores-Catequistas; Soibada, onde, durante a guerra Japão-Austrália, se encontravam a estudar um meu irmão, Abel de Araújo, enfermeiro, assassinado pelas tropas indonésias durante os primeiros meses da invasão, e a nossa irmã mais velha, Teresa Mesquita, mãe do actual Bispo da Diocese de Baucau, D. Basílio do Nascimento. Guerra durante a qual, sendo eu ainda criança, nós, a nossa mãe e os restantes filhos andávamos a vaguear pelo mato, sem saber onde andava o nosso pai (integrado possivelmente em colunas) e sem saber dos nosso irmãos em Soibada.

E aqui está, para mim, a surpresa da coincidência do EWC (extracto de Google): “MISSION AND ORGANIZATION OVERVIEW
The East-West Center promotes better relations and understanding among the people and nations of the United States, Asia, and the Pacific through cooperative study, research, and dialogue. Established by the U.S. Congress in 1960, the Center serves as a resource for information and analysis on critical issues of common concern, bringing people together to exchange views, build expertise, and develop policy options. The Center is an independent, public, nonprofit organization with funding from the U.S. government, and additional support provided by private agencies, individuals, foundations, corporations, and governments in the region.

Over fifty years of serving as a U.S.-based institution for public diplomacy in the Asia Pacific region with international governance, staffing, students, and participants, the Center has built a worldwide network of 57,000 alumni and more than 750 partner organizations.
The Center’s 21-acre Honolulu campus, adjacent to the University of Hawai‘i at Mānoa, is located midway between Asia and the U.S. mainland and features research, residential, and international conference facilities. The Center’s Washington, D.C., office focuses on preparing the United States for an era of growing Asia Pacific prominence.”

E, continuando este processo de formação, a partir dos finais de 69 dos princípios de 70, a Igreja começou a mandar sacerdotes para doutoramentos e especializações nas universidades de Roma. Logo nos inícios da independência, estando a leccionar a disciplina de Filosofia no Seminário Maior Interediocesano em Fatumeta, Dili, lança o projecto de Universidade Católica e de Bibliotecas Universitárias em Timor. Posteriormente manda seminaristas formar-se nos seminários maiores portugueses e nas Universidades Católicas portuguesas. Em contrapartida, o Estado Português só nos princípios de 70, arrastado talvez por este projecto formativo da Igreja ou, mais concretamente, pela criação da Fundação Bispo Medeiros, destinada à formação de Quadros não eclesiásticos, começou a permitir bolsas para estudantes timorenses. Destes fazem parte aqueles que Barbedo Magalhães refere no seu livro de três volumes – “Timor-Leste, Interesses Internacionais e Actores Locais, Edições Afrontamento, com apoio do Instituo Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), Novembro 2007, Vol. II, P. 234.

“Entre os timorenses que estavam a estudar em universidades em Lisboa, e que em Setembro de 1974 voltaram para Timor, estavam Abílio Araújo (ex-seminarista), Guilhermina Araújo, António Carvarino (Mau Lear), Vicente Manuel Reis (Sah’e), Venâncio Gomes da Silva”

Jill Jolliffe, teria dito muito mais sobre estes e outros contributos humanos da Igreja, se escrevesse hoje o seu livro “Timor, Terra Sangrenta, Ed. O Jornal, Lisboa, 1989, p. 29:

“Dando educação aos Timorenses, a Igreja era uma espécie de escola para os nacionalismos. A história de muitos daqueles que vieram a tornar-se dirigentes da FRETILIN e da UDT depois de 1974 era muito semelhante e a lista dos alunos do padre José Teixeira no Seminário de São José em Macau, nos anos anteriores a 1974, PARECIA UMA LISTA DE POLÍTICOS TIMORENSES”.

A IGREJA NÃO SÓ EVANGELIZA. AO EVANGELIZAR, FORMA TAMBÉM RECURSOS HUMANOS… E, SE O JÁ FAZIA ANTES DA INDEPENDÊNCIA, CONTINUA A FAZER, E COM MAIS RAZÃO, A PARTIR DA INDEPENDÊNCIA. A IGREJA NÃO CONSTITUIU APENAS APOIO MORAL DURANTE OS DIFÍCEIS E TRÁGICOS ANOS DA LUTA PELA AUTODETERMINAÇÃO E INDEPENDÊNCIA. SEPARAR A IGREJA DO ESTADO NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA É COMO SEPARAR O CORPO DO ESPÍRITO.

Aguardamos, com imensa expectativa, a publicação, em breve, do livro de D. Carlos Filipe Ximenes Belo, Bispo emérito da Diocese de Dili e Prémio Nobel da Paz sobre o contributo da Igreja para a construção da História global do POVO TIMORENSE.

SE A LUTA FOI DIFÍCIL, MAIS DIFÍCIL AINDA É A CONSTRUÇÃO DA NOVA NAÇÃO. OS RECURSOS HUMANOS SÃO IMPORTANTES PARA O CRESCIMENTO DO PAÍS, MAS SÃO MUITO MAIS IMPORTANTES AINDA OU SÃO IMPRESCINDÍVEIS PARA O SEU DESENVOLVIMENTO:

PARA GARANTIR A VIABILIDADE, A ESTABILIDADE A CAPACIDADE E A QUALIDADE DA INDEPENDÊNCIA NACIONAL, SÃO IGUALMENTE IMPRESCINDÍVEIS O INTERIOR E A DIÁSPORA, TANTO DE TIMOR L/L COMO DE QUALQUER OUTRA NAÇÃO.

xananapai26set2011ul Foto Joana Araújo, Recepção ao PM Kay Rala Xanana Gusmão e apresentação do Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011-2030 (PED 2011-2030), Reitoria da Universidade de Lisboa, 26set2011.

Albertoaraújo

Sobre timordi

50-60 em Escola Salesiana de Lahane, Colégio de Maliana, Seminário de Nossa Senhora de Fátima em Dare, Dili, Timor L/L. 1960-1965 em Macau, Seminário de S. José. 1966-1973 em Same, zona Sul de Timor L/L. 1973-1983 em Roma, LIcenciatura em Filosofia e Curriculum de Doutoramento em Filosofia na Universidade Gregoriana. 1983 em Portugal, projecto de vida - Filosofia, professor, Curriculum de Mestrado em Filosofia, Fundação e Presidente da Associação Timorense (AT) entre 1983 e 1985 (criada com objectivo particular de Espaço de Diálogo e de Formação de Quadros Timorenses na Diáspora e no Interior - Sítio: wp.timor-diaspora.com/wp-login.php). Membro da Comissão Política do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT). Organiza e participa nos Encontros e Conferências de Vila Moura (Algarve, Portugal), Melbourne (Austrália) Darwin (Austrália). Lecciona Filosofia no Seminário Maior S. Pedro e S. Paulo em Fatumeta, Dili (Timor L/L) entre 2000 e 2002. Na sequência da dissolução do CNRT em 2002, opta por desenvolver actividades na Diáspora - Defende uma Política de Diáspora; cria Assoicaição Apoio à Diocese de Baucau (Sítio - http://aadb.home.sapo.pt); organiza a comemoração na Diáspora do 10º Aniversário da Independência de Timor L/L; coordena o Grupo COCC 2012 (Comissão Organizadora de Conferências e Congressos com início de actividades em 2011/2012. Com a COCC 2012 organiza o Primeiro Congresso de Sociedade Civil de Diáspora da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e a Lusofonia.
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